Um recém-nascido nasceu por parto tipo cesariana e, na sala de parto, evoluiu com desconforto respiratório grave com cianose, diminuição do ruído ventilatório à direita com abdome escavado. O paciente apresenta estigmas de Síndrome de Down e polidrâmnio. Qual é o possível diagnóstico?
- A)Malformação adenomatosa cística.
Errada, porque malformação adenomatosa cística é uma lesão pulmonar congênita, mas não explica abdome escavado nem a migração de vísceras para o tórax.
- B)Onfalocele.
Errada, porque onfalocele é defeito da parede abdominal com exteriorização de vísceras no cordão umbilical, e não causa abdome escavado com hipoventilação unilateral.
- C)Gastrosquise.
Errada, porque gastrosquise também é defeito de parede abdominal com alças expostas, mas o quadro respiratório grave com redução do murmúrio vesicular aponta para acometimento torácico.
- D)Persistência do úraco.
Errada, porque persistência do úraco causa alteração urinária ou drenagem pelo umbigo, sem relação com cianose neonatal e abdome escavado.
- E)Hérnia diafragmática.
Certa, porque a hérnia diafragmática congênita causa passagem de vísceras abdominais para o tórax, levando a desconforto respiratório grave, diminuição do ruído ventilatório e abdome escavado.
Gabarito: E
O quadro descreve uma emergência neonatal clássica: dificuldade respiratória grave logo ao nascer, cianose, murmúrio vesicular reduzido em um hemitórax e abdome escavado. Isso acontece quando vísceras abdominais migram para o tórax através de um defeito no diafragma, comprimindo o pulmão e atrapalhando a expansão pulmonar. O resultado é um recém-nascido que chega "sem espaço para respirar" - literalmente. Na hérnia diafragmática congênita, o achado do abdome escavado é muito sugestivo, porque parte do conteúdo abdominal ficou no tórax. Em geral, o lado esquerdo é mais comum, mas o enunciado pode trazer diminuição do ruído à direita, dependendo do defeito. A associação com polidrâmnio também ajuda, porque há prejuízo da deglutição fetal e maior acúmulo de líquido amniótico. Os estigmas de síndrome de Down não fecham o diagnóstico por si só, mas reforçam a presença de malformação congênita associada. O ponto principal aqui é a combinação de desconforto respiratório grave + abdome escavado + ruído ventilatório diminuído, que praticamente grita hérnia diafragmática. O manejo inicial, na prática, é estabilização respiratória e ventilação com cautela, evitando insuflar o estômago e piorar a compressão torácica. As outras opções não explicam esse conjunto de sinais. Em prova, quando o recém-nascido nasce com cianose importante e abdome "afundado", pense primeiro em hérnia diafragmática antes de sair chutando defeitos da parede abdominal.