Sobre o manejo de hérnias encarceradas, é correto afirmar que:
- A)A redução manual da hérnia deve ser tentada sempre, mesmo na presença de sinais de isquemia.
Errada, porque a redução manual não deve ser tentada na presença de sinais de isquemia ou estrangulamento, já que isso pode atrasar a cirurgia e mascarar a gravidade.
- B)Hérnias encarceradas nunca requerem cirurgia de emergência.
Errada, porque hérnias encarceradas podem evoluir para estrangulamento e frequentemente exigem cirurgia de urgência.
- C)Em hérnias estranguladas, a ressecção do segmento isquêmico pode ser necessária.
Certa, porque em hérnias estranguladas pode haver necrose do segmento herniado, tornando necessária a ressecção do tecido isquêmico.
- D)O uso de telas é contraindicado em qualquer reparo de hérnia estrangulada.
Errada, porque o uso de tela não é proibido em qualquer caso; sua indicação depende do grau de contaminação e das condições locais do campo operatório.
Gabarito: C
Hérnia encarcerada é aquela que não consegue retornar para a cavidade abdominal, e isso já acende uma luz amarela no plantão. Se houver sinais de sofrimento vascular, dor intensa, edema importante, alteração da cor da pele, febre ou sinais de obstrução e peritonite, você deve pensar em estrangulamento, que é quando a vascularização do conteúdo herniário está comprometida. Aí a história muda de figura: não é caso de ficar insistindo em manobras heroicas de redução manual, porque isso pode atrasar o tratamento e piorar o quadro. O ponto central da questão é que, nas hérnias estranguladas, pode haver necrose do segmento preso. Nessa situação, além da correção da hérnia, pode ser necessária a ressecção do tecido ou alça isquêmica. Por isso a letra C está correta: quando o intestino ou outro órgão perdeu viabilidade, não basta apenas “devolver para dentro”, é preciso tratar o segmento comprometido. De modo geral, hérnia encarcerada e, principalmente, estrangulada são indicações de abordagem cirúrgica urgente. A redução manual só é considerada em situações bem selecionadas, sem sinais de isquemia, e com muito cuidado. Em resumo: se o conteúdo está preso e sem sangue, o cirurgião entra em cena sem enrolar. É a clássica situação em que o relógio manda mais do que a anatomia.