A cefaleia, popularmente conhecida como dor de cabeça, é uma das doenças mais comuns entre a população. Estima-se que 76% da população feminina e 57% masculina tenham pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês. A classificação da Sociedade Internacional de Cefaleia reconhece mais de 150 tipos diferentes de dor de cabeça, que é um sintoma comum a diversas condições médicas. Em alguns casos, a dor de cabeça é o principal sintoma de uma condição na qual não são identificadas alterações estruturais, metabólicas, tóxicas ou infecciosas como causa. Com relação a cefaleia é correto afirmar:
- A)O diagnóstico correto das cefaleias depende principalmente de exames complementares de imagem.
Errada, porque o diagnóstico das cefaleias é בעיקרamente clínico, e os exames de imagem são complementares apenas em casos selecionados, não a base principal.
- B)Alguns medicamentos são úteis para interromper uma crise de cefaléia, e mesmo quando consumidos em excesso ou por muito tempo não levam a complicações.
Errada, porque o uso excessivo de analgésicos pode causar cefaleia por abuso de medicação e outras complicações, em vez de ser inofensivo.
- C)A dor de cabeça é um sintoma que acompanha muitas doenças graves como infecções do sistema nervoso (chamadas meningites e encefalite), tumores, hemorragias intracranianas (rompimento de aneurismas, acidente vascular encefálico hemorrágico), isquemias, vasculites, trombose venosa, entre outras. No entanto, as dores de cabeça decorrentes de problemas graves como esses são minoria.
Certa, pois cefaleia pode ser sintoma de doenças graves, mas a maioria dos casos não tem essa origem e corresponde a cefaleias primárias ou quadros benignos.
- D)Os sinais de alerta para as cefaleias primarias são: dor de início súbito, pior dor já referida pelo paciente, cefaleia associado à alterações de comportamento ou alterações na força e coordenação dos movimentos, associação de crises convulsivas, dor de cabeça frequente de início após a idade média de 60 anos.
Errada, porque mistura sinais de alarme importantes com uma formulação imprecisa e limita indevidamente o conceito de alerta para cefaleias primárias.
Gabarito: C
Cefaleia é um sintoma muito comum e, na prática, o segredo da prova é lembrar que o diagnóstico é прежде tudo clínico, feito pela história da dor, características, duração, gatilhos e sinais de alerta. Exames de imagem podem ser úteis em situações selecionadas, mas não são a base do diagnóstico de rotina. Aliás, sair pedindo tomografia para toda dor de cabeça é receita para gastar tempo e assustar o paciente sem necessidade. Outro ponto importante: algumas cefaleias são primárias, como enxaqueca, tensional e em salvas, e não têm uma lesão estrutural por trás. Já as cefaleias secundárias surgem como sintoma de outra doença, e aí entram causas graves como meningite, encefalite, hemorragia intracraniana, AVC isquêmico, tumores, vasculites e trombose venosa cerebral. O gabarito está na alternativa C porque ela lembra exatamente isso: a dor de cabeça pode acompanhar doenças neurológicas graves, mas essas causas representam minoria dos casos de cefaleia. Essa é uma ideia clássica da Neurologia e também da abordagem de cefaleia do International Classification of Headache Disorders, que prioriza a avaliação clínica e a busca de sinais de alarme para decidir quando investigar mais. Fique atento aos sinais de alerta, porque eles mudam totalmente a conduta: início súbito, pior cefaleia da vida, déficit neurológico, alteração do comportamento, convulsões, início mais tardio na vida e mudança do padrão habitual. Em prova, a banca adora misturar cefaleia comum com quadro potencialmente grave para ver se você reconhece o que precisa investigar de verdade.