As crises epilépticas podem ter diversas etiologias. Sobre o estado de mal epiléptico (EME), analise as afirmativas: I. O EME é definido como uma crise epiléptica que dura mais de 30 minutos ou crises repetidas sem recuperação entre elas. II. O benzodiazepínico é a primeira linha de tratamento. III. A monitorização em UTI é necessária em casos refratários. IV. A tomografia computadorizada é irrelevante na avaliação inicial. Estão corretas as afirmativas:
- A)I e II, apenas.
Essa alternativa afirma que apenas as assertivas I e II estão corretas, ou seja, que o estado de mal epiléptico seria, na definição clássica, uma crise prolongada ou recorrente sem recuperação e que o benzodiazepínico é a primeira linha. Esses dois pontos estão corretos, mas a proposição fica incompleta porque a monitorização em UTI nos casos refratários também faz parte da condução adequada. Como a III também é verdadeira, não se pode limitar o acerto a I e II.
- B)I, II, III e IV.
Essa alternativa sustenta que as quatro afirmativas estariam corretas. I, II e III correspondem ao entendimento clássico do estado de mal epiléptico: crise prolongada ou repetida sem retorno ao basal, tratamento inicial com benzodiazepínico e necessidade de suporte intensivo quando há refratariedade. O erro está na IV, porque a tomografia computadorizada não é irrelevante na avaliação inicial - ela pode ser essencial para investigar causa estrutural, trauma, hemorragia ou outra lesão aguda.
- C)II, III e IV, apenas.
Aqui se diz que somente II, III e IV estariam corretas. Os itens II e III realmente estão certos, pois benzodiazepínicos são a primeira abordagem e casos refratários exigem vigilância intensiva, muitas vezes em UTI. Porém a IV é falsa, já que a TC pode integrar a investigação inicial, e a I também está correta na definição clássica do estado de mal epiléptico, que admite crise maior que 30 minutos ou crises sem recuperação entre elas.
- D)I, II e III, apenas.
Essa é a combinação que melhor reflete o conteúdo cobrado: I, II e III estão corretas. A definição clássica de estado de mal epiléptico envolve crise prolongada ou crises sucessivas sem recuperação, o benzodiazepínico é a primeira medida farmacológica e a refratariedade impõe monitorização em UTI. A IV está errada porque a tomografia computadorizada não é irrelevante; ela ajuda a identificar a causa do evento e orientar a conduta inicial.
Gabarito: D
O estado de mal epiléptico (EME) é uma emergência neurológica porque a crise não para sozinha e pode causar lesão cerebral, hipóxia, acidose e até risco de morte. Na prática, a ideia central é: crise prolongada ou crises em sequência sem recuperação entre elas. Embora definições modernas usem marcos mais precoces para tratar rapidamente, a formulação clássica cobrada em prova costuma trazer mais de 30 minutos ou crises repetidas sem retorno ao basal. O tratamento inicial é rápido e começa com benzodiazepínico, como diazepam, lorazepam ou midazolam. Isso é importante porque esse grupo age depressa e ajuda a interromper a crise antes que ela “engrosse o caldo” e se torne refratária. Depois, se necessário, entram anticonvulsivantes de segunda linha e suporte clínico conforme a resposta. Quando o caso não responde ao tratamento inicial, principalmente no EME refratário, o paciente costuma precisar de monitorização intensiva em UTI. Ali, você consegue proteger via aérea, controlar sedação, vigiar complicações e ajustar medicações com segurança. É o tipo de situação em que a vigilância precisa ser de perto, sem heroísmo improvisado. A tomografia computadorizada não é irrelevante. Ao contrário, ela faz parte da avaliação inicial em muitos casos, especialmente para investigar causas estruturais, hemorragia, tumor, trauma ou outras lesões agudas. Por isso, a afirmativa IV está errada. Assim, o gabarito D está correto porque I, II e III estão certas, e a IV está incorreta.