Sobre a apêndice cecal e à apendicite aguda, assinale a alternativa incorreta.
- A)O apêndice habitualmente localiza-se no quadrante inferior direito. Embriologicamente, é derivado do intestino médio e pode ser identificado após a 8ª semana gestacional
Correta: o apêndice costuma localizar-se no quadrante inferior direito, é derivado do intestino médio e pode ser identificado no desenvolvimento fetal por volta da 8ª semana.
- B)A irrigação arterial apendicular é advinda da artéria ileocecocólica, um ramo direto da artéria mesentérica superior
Correta: a irrigação apendicular é feita pela artéria apendicular, ramo da artéria ileocólica, que nasce da artéria mesentérica superior.
- C)Dentre os diagnósticos diferenciais da apendicite aguda em crianças, podemos considerar adenite mesentérica, torção testicular, doença inflamatória intestinal, invaginação intestinal e diverticulite de Meckel
Correta: esses são diagnósticos diferenciais clássicos de dor abdominal em crianças com suspeita de apendicite.
- D)Causas abdominais como cisto ovariano, “Mittelschmerz”, endometriose e gravidez ectópica são possíveis diagnósticos diferenciais em mulheres pós menarca
Correta: em mulheres pós-menarca, causas ginecológicas e abdominais como cisto ovariano, mittelschmerz, endometriose e gravidez ectópica entram nos diferenciais.
- E)Em gestantes, a apendicite aguda apresenta quadro clínico típico em apenas 50 a 60% dos casos e o tratamento deve ser instituído, impreterivelmente, após realização de tomografia computadorizada para confirmação diagnóstica
Incorreta: na gestante a apendicite pode ser atípica, mas a confirmação não exige obrigatoriamente tomografia antes do tratamento; a imagem deve ser escolhida conforme o caso, com preferência por métodos sem radiação quando possível.
Gabarito: E
O apêndice cecal costuma ficar no quadrante inferior direito, mas sua posição pode variar, o que explica quadros clínicos nem sempre tão “bonitinhos” quanto os livros desenham. Embriologicamente, ele deriva do intestino médio, e a sua presença pode ser reconhecida ainda na vida fetal, após a 8ª semana gestacional. A irrigação vem da artéria apendicular, geralmente ramo da artéria ileocólica, que por sua vez nasce da mesentérica superior. Isso é anatomia básica que a banca adora cobrar com cara de pegadinha. Na apendicite aguda, o diagnóstico é clínico e apoiado por exames de imagem conforme a idade e o cenário. Em crianças, os diferenciais incluem adenite mesentérica, invaginação intestinal, diverticulite de Meckel, doença inflamatória intestinal e até torção testicular, que pode “imitar” dor abdominal. Em mulheres pós-menarca, entram no radar cisto ovariano, mittelschmerz, endometriose e gravidez ectópica. O gabarito é a alternativa E porque ela erra em dois pontos importantes: na gestante, a apendicite realmente pode ter apresentação atípica, com quadro clássico em apenas parte dos casos, mas o tratamento não depende obrigatoriamente de tomografia para começar. A conduta é baseada na suspeita clínica e em exames de imagem conforme disponibilidade e segurança, com preferência por ultrassonografia e ressonância magnética quando possível. A tomografia pode ser útil em casos selecionados, mas não é requisito impreterível para iniciar o manejo. Em resumo: a banca tentou transformar uma regra de prudência em regra absoluta. Em Medicina, quase nunca o “sempre” e o “impreterivelmente” são amigos do candidato.