Recém-prematuro, 36 semanas, 2600g, exame físico normal, está no alojamento conjunto e apresenta hemoglicotest (HGT) na primeira hora de vida < 25 mg/dl. Assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada frente a esse caso.
- A)Alimentar e reavaliar glicemia 30 minutos após
Certa, porque o recém-nascido está assintomático e a hipoglicemia inicial deve ser manejada com alimentação e nova glicemia em curto prazo.
- B)Iniciar infusão endovenosa de glicose
Errada, porque infusão endovenosa de glicose é mais indicada quando há sintomas, persistência da hipoglicemia ou falha da oferta enteral.
- C)Fazer push de glicose 10% e iniciar infusão endovenosa
Errada, porque o bolus de glicose 10% é medida para hipoglicemia grave/sintomática, não para o primeiro passo em bebê estável.
- D)Glicemia está dentro da normalidade. alimentar e reavaliar na rotina
Errada, porque HGT menor que 25 mg/dl na primeira hora não é normal e exige intervenção imediata e reavaliação.
- E)Oferecer fórmula de partida
Errada, porque o princípio é alimentar o recém-nascido e reavaliar a glicemia, mas a alternativa não traz a conduta completa esperada na questão.
Gabarito: A
No recém-nascido, especialmente no prematuro tardio e em quem nasceu com menos de 37 semanas, a glicose pode cair nas primeiras horas de vida por adaptação metabólica. O ponto-chave aqui é separar o bebê sintomático do assintomático. Se o exame físico está normal e o bebê está estável, a conduta inicial costuma ser alimentação precoce e nova glicemia em curto intervalo, porque o leite entra como combustível e muitas vezes resolve a hipoglicemia transitória sem precisar de medidas mais agressivas. Neste caso, o HGT menor que 25 mg/dl na primeira hora chama atenção, mas o enunciado não descreve sinais clínicos de gravidade. Em recém-nascido assintomático, a primeira medida prática é alimentar e repetir a glicemia após cerca de 30 minutos, observando a resposta. Isso é muito cobrado em prova: não sair correndo para soro na veia em todo mundo, nem tratar como se fosse um adulto com hipoglicemia grave. A infusão endovenosa de glicose fica para situações em que o bebê apresenta sintomas, não responde à alimentação, ou mantém glicemias muito baixas em reavaliações. Já o bolus de glicose 10% costuma ser reservado para hipoglicemia sintomática ou grave, porque é uma intervenção mais intensiva. Fórmula de partida pode até ser uma opção alimentar, mas a conduta geral pedida é apenas alimentar e reavaliar. Em resumo: recém-nascido estável, assintomático e com hipoglicemia inicial -> alimentação imediata e controle da glicemia pouco depois. A lógica é simples: primeiro oferece substrato, depois vê se o organismo respondeu. Na neonatologia, a pressa boa é a do leite, não a do gotejamento.