Na pré-eclâmpsia a medição dos marcadores antiangiogénicos urinários ou plasmáticos, como a tirosina quinase-1 solúvel semelhante ao fms (sFlt-1), e dos marcadores angiogénicos, como o fator de crescimento placentário (PlGF), ou das suas proporções, pode ser útil para: Analise as afirmativas abaixo. I. Distinguir a pré-eclâmpsia de outros distúrbios hipertensivo-proteinúricos em pacientes que apresentam características clínicas suspeitas de pré-eclâmpsia, reduzindo o tempo para a confirmação do diagnóstico (agilizando, assim, o início dos cuidados clínicos adequados). II. Determinar se uma paciente com algumas das manifestações de pré-eclâmpsia, mas que não preenche os critérios de diagnóstico, necessita de intervenção médica, como hospitalização ou parto. III. Prever o risco a curto prazo de progressão para pré-eclâmpsia com características graves. Estão corretas as afirmativas:
- A)I apenas
A opção restringe o uso desses biomarcadores apenas ao diagnóstico diferencial e à aceleração da confirmação da pré-eclâmpsia em casos suspeitos. Isso realmente faz parte da utilidade clínica, porque a razão sFlt-1/PlGF pode ajudar a afastar a doença e reduzir incertezas no manejo inicial, mas a proposta ignora que o exame também serve para estratificação de risco e apoio à conduta. Fica, portanto, incompleta.
- B)II apenas
A opção diz que os marcadores servem apenas para julgar se uma gestante com sinais sugestivos, mas ainda sem critérios fechados, precisa de internação ou parto. Essa é uma aplicação possível, porque valores alterados ajudam a orientar vigilância e decisão clínica, inclusive em diretrizes como as do NICE, mas não esgota o papel do teste. Ele também auxilia a diferenciar pré-eclâmpsia de outros quadros hipertensivos e a estimar progressão iminente.
- C)III apenas
A opção limita a utilidade desses marcadores à previsão de progressão para pré-eclâmpsia grave. De fato, a relação sFlt-1/PlGF tem valor prognóstico de curto prazo e ajuda a estimar risco de desfechos maternos e fetais, mas a literatura também reconhece sua utilidade no diagnóstico diferencial e na tomada de decisão em quadros suspeitos. Por isso, a alternativa fica reduzida demais.
- D)I e II apenas
A opção reúne o valor diagnóstico diferencial e a ajuda para definir intervenção em pacientes ainda sem critérios completos. Isso corresponde ao uso prático dos biomarcadores, que funcionam como apoio à avaliação clínica e à estratificação de risco, sem substituir o exame e o julgamento obstétrico. O ponto que falta é que eles também predizem a progressão de curto prazo para formas graves, o que torna a afirmação incompleta.
- E)I, II e III
A opção contempla o uso completo dos marcadores angiogênicos e antiangiogênicos na suspeita de pré-eclâmpsia: diferenciar de outros distúrbios hipertensivo-proteinúricos, apoiar a decisão de internação ou parto em casos limítrofes e estimar o risco de evolução rápida para doença com características graves. Esse é exatamente o papel descrito em consensos obstétricos contemporâneos para a razão sFlt-1/PlGF, como ferramenta adjuvante de diagnóstico e prognóstico. Por isso, todas as afirmativas estão corretas.
Gabarito: E
Na pré-eclâmpsia, o problema central não é só a pressão subir: há também uma alteração da placentação e um desequilíbrio entre fatores angiogênicos e antiangiogênicos. Por isso, marcadores como sFlt-1 e PlGF ganharam espaço na prática, especialmente quando o quadro clínico ainda está meio "cinzento" e você precisa separar o joio do trigo mais rápido. O sFlt-1 é um marcador antiangiogênico e o PlGF é angiogênico. Quando o sFlt-1 sobe e o PlGF cai, ou quando a proporção entre eles se altera, isso favorece o diagnóstico de pré-eclâmpsia e ajuda a diferenciá-la de outros distúrbios hipertensivo-proteinúricos. Em outras palavras, esses testes podem acelerar a confirmação diagnóstica e, com isso, antecipar o cuidado adequado. Além disso, eles podem ajudar a decidir condutas em pacientes que têm sinais sugestivos, mas ainda não fecham critério diagnóstico. Nesses casos, o resultado pode apoiar a decisão sobre observação mais estreita, hospitalização ou necessidade de interrupção da gestação, sempre junto com o quadro clínico e a avaliação materno-fetal. Não é um teste mágico, mas é uma ferramenta bem útil na tomada de decisão. Também existe valor prognóstico: essas proporções podem estimar risco de piora em curto prazo, inclusive progressão para pré-eclâmpsia com características graves. Por isso, a banca considera corretas as três afirmativas. O ponto-chave aqui é lembrar que esses biomarcadores são auxiliares, mas bem relevantes quando o diagnóstico e a gravidade ainda estão em dúvida.