Mulher de 26 anos apresenta dor e edema em toda a extremidade inferior direita, com início há 4 dias e piora progressiva. Exame físico: cianose não fixa de todo o membro inferior direito com pulsos presentes, edema tenso e doloroso, com dorsiflexão dolorosa do pé. Diante do exposto, assinale a alternativa correta
- A)Trata-se de oclusão arterial crônica, devendo a paciente ser submetida à desobstrução arterial a Fogarty
Errada: oclusão arterial crônica costuma dar pulsos diminuídos ou ausentes, frialdade e claudicação, não edema tenso de início agudo com cianose e pulsos presentes.
- B)Trata-se de tromboangeite obliterante periférica e a paciente deve receber corticoterapia e anticoagulação sistêmica
Errada: tromboangeíte obliterante é mais comum em fumantes jovens, acomete artérias e veias de pequeno e médio calibre, e não se trata com corticoterapia como regra.
- C)Trata-se de trombose venosa profunda evoluindo com quadro de flegmasia cerúlea e a paciente deve ser anticoagulada
Certa: o quadro é compatível com TVP extensa evoluindo para flegmasia cerúlea dolens, cuja conduta inicial inclui anticoagulação sistêmica imediata.
- D)Trata-se de vasoespasmo decorrente de terapia farmacológica com alcaloide de ergot, devendo ser submetido à simpatectomia
Errada: vasoespasmo por ergot pode causar isquemia arterial, mas não explica edema maciço de toda a extremidade com pulsos preservados.
Gabarito: C
O quadro descrito é típico de uma obstrução venosa aguda grave, mais precisamente trombose venosa profunda extensa com flegmasia cerúlea dolens. Repare nos sinais que “gritam” venoso e não arterial: edema intenso de todo o membro, dor importante, cianose não fixa, pulsos ainda presentes e dorsiflexão dolorosa. Quando o retorno venoso fica bloqueado de forma importante, o membro incha, a pele pode ficar azulada e a perfusão capilar piora, mas o pulso arterial costuma permanecer palpável no início. A flegmasia cerúlea dolens é uma complicação rara e grave da TVP, geralmente por trombose venosa maciça, com risco de isquemia venosa, necrose e até síndrome compartimental. O tratamento inicial clássico é anticoagulação sistêmica imediata, para impedir a progressão do trombo. Dependendo da gravidade e da evolução, podem ser necessários trombólise dirigida por cateter, trombectomia ou medidas de suporte mais agressivas. O detalhe da dorsiflexão dolorosa do pé costuma confundir muita gente porque lembra o sinal de Homans, historicamente associado à TVP. Ele não fecha diagnóstico sozinho, mas aqui combina com o conjunto clínico e reforça a suspeita de trombose venosa extensa. Em resumo: mulher jovem, membro inteiro edemaciado, cianótico, doloroso e com pulsos presentes aponta para obstrução venosa importante, não para oclusão arterial. Por isso, o gabarito é a alternativa C.