M.D.S., 31 anos, chega ao Pronto Atendimento Ginecológico queixando-se de dor em baixo ventre há aproximadamente uma semana, corrimento vaginal esverdeado e febre. Durante o exame físico ginecológico, identifica-se fortes dores à palpação de anexo direito e colo uterino. Encontra-se com os seguintes sinais vitais: PA 110 x 70 mmHg / FC 98 bpm / FR 18 irpm / SatO2 98% / TºC axilar 38,4ºC. Nos exames subsidiários, encontramos: Hb 12,1 - Ht 36,0 - Leucócitos 18.900 (5% B) - PCR 203,0 – BHCG positivo. Em relação à melhor conduta no caso, assinale a alternativa correta.
- A)Tratamento ambulatorial – Ceftriaxona + Azitromicina
Errada: é esquema ambulatorial e ainda fica incompleto para um quadro grave com febre, dor à mobilização do colo e BHCG positivo.
- B)Tratamento hospitalar – Ciprofloxacino + Gentamicina
Errada: ciprofloxacino não é esquema padrão para DIP e a conduta hospitalar até faz sentido, mas a cobertura antibiótica está inadequada.
- C)Tratamento ambulatorial – Ceftriaxona + Doxicilina
Errada: além de ser ambulatorial, a doxiciclina é contraindicada na gestação, e o BHCG positivo afasta essa escolha.
- D)Tratamento hospitalar – Ceftriaxona + Metronidazol
Certa: a paciente tem quadro compatível com DIP grave e gestação, o que indica internação e antibiótico com cobertura apropriada.
Gabarito: D
O quadro descreve doença inflamatória pélvica (DIP): dor em baixo ventre, corrimento, febre, leucocitose, PCR elevada e dor à mobilização do colo e anexos. Esse conjunto de achados é bem clássico, e a gravidade fica ainda maior quando há sinais sistêmicos e um teste de gravidez positivo, porque a paciente precisa de internação e investigação cuidadosa. Em concurso, lembre da ideia central: DIP com febre, dor importante ou gestação não é caso de "remédio e casa"; é caso de tratamento hospitalar. Na DIP, o esquema deve cobrir os principais agentes, especialmente gonococo, clamídia e anaeróbios. A combinação ceftriaxona + metronidazol faz exatamente isso: a ceftriaxona cobre Neisseria gonorrhoeae, e o metronidazol amplia a cobertura para anaeróbios, que participam bastante dos quadros pélvicos mais exuberantes. Em muitos protocolos, associa-se ainda cobertura para clamídia com doxiciclina, mas na gestação a doxiciclina é evitada, então a conduta precisa ser adaptada ao contexto. O detalhe que derruba muita gente é o BHCG positivo. Gravidez com dor pélvica e suspeita de infecção exige internação e avaliação mais cautelosa, inclusive para afastar ectópica. Por isso, as opções ambulatoriais ficam inadequadas. O raciocínio da banca, aqui, é cobrar que você reconheça a gravidade clínica e a necessidade de hospitalização. Resumo de prova: DIP + febre + dor à mobilização do colo + gestação = tratamento hospitalar. O gabarito D é o melhor porque une a via correta de manejo com antibióticos adequados para o cenário.