Com o envelhecimento, alterações na composição corporal, na taxa de filtração renal, bem como no metabolismo hepático acabam repercutindo na farmacocinética e farmacodinâmica do indivíduo idoso. Assim sendo, assinale a alternativa correta.
- A)A redução de massa gordurosa no indivíduo idoso favorece a biodisponibilidade de drogas lipossolúveis como os benzodiazepínicos, acarretando mais eventos adversos relacionados a esses medicamentos
Errada, porque no idoso há aumento relativo da gordura corporal, o que tende a aumentar e prolongar o efeito de fármacos lipossolúveis, não reduzir sua biodisponibilidade por diminuição de massa gordurosa.
- B)A redução de albumina sérica em pacientes frágeis reduz a fração livre de fármacos como a Fenitoína, devendo ser prescrita em doses maiores para indivíduos idosos para que haja o mesmo efeito
Errada, porque a redução de albumina aumenta a fração livre da fenitoína, elevando o risco de toxicidade, então não faz sentido aumentar a dose para buscar o mesmo efeito.
- C)Devido ao aumento da gordura corporal em indivíduos idosos, fármacos lipossolúveis como a Digoxina acabam tendo meia-vida aumentada, ocorrendo maior chance de eventos adversos relacionados à medicação
Errada, porque a digoxina não é lipossolúvel e o aumento de meia-vida no idoso se relaciona mais com alterações de distribuição e principalmente com a depuração renal reduzida.
- D)Devido à redução da água corporal em indivíduos idosos, fármacos hidrossolúveis como o Lítio tendem a apresentar menor volume de distribuição, com consequente aumento da concentração plasmática e maior risco de eventos adversos
Certa, porque a redução da água corporal no idoso diminui o volume de distribuição de fármacos hidrossolúveis como o lítio, aumentando a concentração plasmática e o risco de eventos adversos.
Gabarito: D
No idoso, o corpo muda a forma de lidar com os remédios. Em geral, há menos água corporal total, mais gordura relativa, menor albumina em muitos pacientes frágeis e redução da depuração renal e, em parte, hepática. Isso mexe com volume de distribuição, meia-vida e risco de toxicidade, então a mesma dose pode virar uma surpresa desagradável. O ponto-chave da questão está nos fármacos hidrossolúveis. Como o idoso costuma ter menos água corporal, medicamentos como o lítio tendem a ter menor volume de distribuição, concentrando mais no plasma e aumentando o risco de efeitos adversos. Se a eliminação renal também estiver reduzida, a chance de intoxicação fica ainda maior, o que exige dose e monitorização cuidadosas. Por isso a alternativa D está correta: menos água corporal significa menos “espaço” para o fármaco hidrossolúvel se distribuir, elevando a concentração plasmática. Em farmacologia geriátrica, isso é um clássico, quase um aviso de “cuidado com a dose”. As demais alternativas erram a lógica da fisiologia do envelhecimento: benzodiazepínicos tendem a ter maior duração por aumento relativo de gordura corporal, e não por redução dela; a queda de albumina aumenta a fração livre de fármacos muito ligados a proteínas; e a digoxina não é um exemplo de fármaco lipossolúvel.