Uma criança de quatro meses de vida é trazida pela mãe ao consultório por apresentar estridor persistente há 2 meses. Segundo a mãe, a criança melhora quando colocada em posição pronada. O diagnóstico mais provável seria:
- A)laringocele
Laringocele não é a causa típica de estridor persistente em lactente e costuma estar relacionada a aumento de volume cervical ou sintomas mais tardios.
- B)laringomalácea
Correta, pois a laringomalácea é a causa mais comum de estridor congênito em lactentes e costuma melhorar com posição prona.
- C)estenose subglótica
Estenose subglótica geralmente causa estridor mais fixo e importante, sem a melhora posicional clássica descrita no caso.
- D)paresia de prega vocal
Paresia de prega vocal pode causar sintomas respiratórios e alteração do choro, mas não é o quadro típico de estridor que melhora em prona.
Gabarito: B
Estridor persistente em lactente pequeno quase sempre aponta para obstrução de via aérea alta, e a primeira ideia que deve vir à cabeça é laringomalácea. Esse é o quadro mais comum de estridor congênito em bebês, geralmente percebido nas primeiras semanas ou meses de vida. O detalhe-chave da questão é que a criança melhora em posição prona. Isso acontece porque, na laringomalácea, há flacidez das estruturas supraglóticas, que colapsam mais na inspiração. Quando o bebê muda de posição, o grau de obstrução pode diminuir, e o estridor tende a aliviar. É aquele tipo de diagnóstico em que a clínica praticamente entrega o caso na bandeja. A laringomalácea costuma piorar quando o bebê chora, mama ou fica em decúbito dorsal, e melhorar ao longo do tempo, com maturação da laringe. Na prática, é um quadro geralmente benigno, embora alguns casos precisem de acompanhamento mais próximo se houver dificuldade para ganhar peso ou sinais de maior esforço respiratório. As outras alternativas não combinam com esse padrão típico. Laringocele é outra história, estenose subglótica costuma dar estridor mais fixo e importante, e paresia de prega vocal tende a causar mais alteração de choro e sintomas respiratórios conforme a lateralidade. Portanto, o gabarito B está correto por reunir a faixa etária clássica, o estridor persistente e a melhora com posição prona.