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Medicina · IBFC · 2023

Questão comentada de Medicina

Homem de 24 anos, em acompanhamento com reumatologia, e com diagnóstico recente de espondiloartrite axial não-radiográfica, devido histórico, há 6 meses, de lombalgia crônica inflamatória, associada a episódios prévios de uveíte anterior aguda em olho direito, e ressonância magnética de sacroilíacas positiva para sacroileíte bilateral. Foi prescrito nimesulida em dose plena por 8 semanas, sem melhora clínica, seguido de cetoprofeno em dose plena por mais 6 semanas, também sem melhora. Retorna mantendo dor lombar com as características prévias, referindo prejuízo em atividades cotidianas. No exame físico, dor a palpação de região lombar e topografia de sacroilíacas, manobra de FABERE positiva bilateral e manobra de Schober de 3,2 cm, sem alterações em articulações periféricas e olhos. De acordo com a avaliação, assinale a alternativa correta quanto às recomendações da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) para o manejo das espondiloartrites.

Gabarito: C

A espondiloartrite axial não radiográfica é um quadro inflamatório que costuma dar lombalgia crônica com rigidez, melhora com movimento e pode vir junto com uveíte anterior. Quando a atividade axial persiste, o tratamento costuma começar com AINE em dose plena, testando mais de um fármaco por tempo adequado, porque nem todo anti-inflamatório funciona igual em cada paciente. Nesta questão, o paciente já fez duas tentativas corretas com AINE em dose plena, por tempo suficiente, e continuou sintomático, com limitação funcional e sinais de atividade inflamatória no exame. Nessa situação, a recomendação da SBR é partir para terapia biológica, especialmente inibidor de TNF ou inibidor de IL-17, que são as opções com melhor efeito para doença axial ativa refratária. Vale lembrar um detalhe que a banca adora cobrar: metotrexato e sulfassalazina têm papel bem mais fraco na forma axial pura. Eles podem ser úteis em alguns casos com acometimento periférico, mas não são a escolha para controlar atividade axial persistente. Ou seja, aqui não é hora de insistir em remédios que são ótimos em outras reumatologias, mas fazem pouca mágica na coluna. Por isso o gabarito é a alternativa C. O raciocínio é: doença axial ativa, falha de dois AINEs, então indica-se iniciar imunobiológico, conforme as recomendações da Sociedade Brasileira de Reumatologia para espondiloartrites.

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