Menino de 5 anos procura pronto-socorro pois avó, ao realizar os cuidados, sentiu uma massa no abdome do paciente. Exame físico: massa palpável em flanco esquerdo, de consistência endurecida; linfonodos palpáveis em cadeias inguinal, cervical bilateral, móveis, discretamente aumentados, fibroelásticos; sem demais alterações. Avó refere, também, que o paciente apresentou perda de 4 Kg no último mês. Com relação aos prováveis diagnósticos diferenciais, assinale a alternativa incorreta.
- A)Linfoma
Incorreta como diferencial principal do quadro, porque linfoma costuma dar mais adenomegalias e massa por conglomerado linfonodal do que uma massa em flanco típica.
- B)Neuroblastoma
Correta, pois neuroblastoma é um importante diferencial de massa abdominal dura em criança, especialmente em retroperitônio.
- C)Tumor de Willms
Correta, porque tumor de Wilms é causa clássica de massa abdominal em faixa etária pediátrica.
- D)Hidronefrose
Correta, já que hidronefrose pode se manifestar como massa abdominal palpável por dilatação do sistema coletor.
Gabarito: A
Em pediatria, uma massa abdominal palpável em flanco acende o alerta para causas renais e retroperitoneais. Os diagnósticos que mais entram no jogo são tumor de Wilms, neuroblastoma e hidronefrose. O Wilms costuma aparecer como massa abdominal indolor em criança pequena, e o neuroblastoma pode dar massa endurecida, perda ponderal e até linfonodos aumentados. A hidronefrose também pode se manifestar como aumento de volume abdominal por dilatação do sistema coletor. O ponto da questão é que ela pede a alternativa incorreta entre os prováveis diferenciais. Nessa apresentação, linfoma não é o diagnóstico mais típico de massa em flanco como hipótese principal. O linfoma pode até comprometer o abdome, mas costuma se apresentar mais com adenomegalias, massas por conglomerado linfonodal, sintomas sistêmicos e/ou hepatoesplenomegalia, em vez de uma massa renal/flanco como quadro clássico. Por isso, o gabarito A está correto: ele foge do núcleo dos principais diferenciais de massa abdominal em criança. Já as outras opções conversam bem com o raciocínio pediátrico de massa em flanco. Em prova, pense assim: criança com massa abdominal não é sempre "tumor", mas quase sempre merece pensar em rim, retroperitônio e vias urinárias primeiro.