Recém-nascido de 20 dias de vida comparece para consulta de puericultura. Em aleitamento materno exclusivo, com ganho de peso de 30g por dia, com icterícia ao exame físico, sem demais alterações. Cuidadora nega colúria ou acolia fecal. Com relação à conduta mais adequada, assinale a alternativa correta.
- A)Orientar mãe que icterícia do paciente é relacionada ao aleitamento materno, e suspender amamentação, iniciado fórmula infantil
Errada: icterícia do leite materno não justifica suspender o aleitamento, que deve ser mantido na maioria dos casos.
- B)Reavaliar paciente em 1 mês com relação à icterícia, e orientar banho de sol
Errada: banho de sol não é conduta recomendada e aguardar 1 mês é tempo demais para uma icterícia já prolongada.
- C)Solicitar bilirrubinas totais e frações, e encaminhar paciente à serviço de hepatologia infantil
Errada: a investigação de colestase pode ser necessária, mas o encaminhamento imediato sem reavaliação não é a melhor primeira conduta neste caso sem sinais de alarme.
- D)Reavaliar paciente em 1 semana, e se mantendo icterícia, solicitar bilirrubinas totais e frações, para excluir colestase
Certa: em icterícia prolongada com bebê bem, a conduta é reavaliar em curto prazo e, se persistir, solicitar bilirrubinas totais e frações para excluir colestase.
Gabarito: D
Icterícia no recém-nascido sempre pede atenção ao tempo de vida. Nos primeiros dias, pode ser algo fisiológico, mas quando a criança já tem 20 dias e ainda está ictérica, você não deve simplesmente “esperar passar” sem reavaliar. Em bebê em aleitamento materno exclusivo, com bom ganho ponderal e sem colúria ou acolia, uma causa comum é a icterícia associada ao leite materno, que costuma ser benigna. Mesmo assim, antes de colocar tudo na conta do aleitamento, é preciso vigiar se o quadro está realmente se resolvendo. O ponto-chave aqui é não perder uma colestase neonatal. Icterícia com bilirrubina direta elevada sugere doença hepatobiliar e isso precisa ser investigado cedo, porque algumas causas exigem diagnóstico rápido. Como neste caso não há sinais de alarme, a conduta inicial é reavaliar em curto prazo e, se a icterícia persistir, pedir bilirrubinas totais e frações para afastar colestase. Por isso a alternativa D está correta: o bebê não tem indicação de suspender o aleitamento, nem de banho de sol como tratamento, e também não parece precisar de encaminhamento imediato à hepatologia sem antes confirmar persistência e fração direta. Em puericultura, o raciocínio é simples: criança bem, mas icterícia prolongada, merece seguimento próximo e investigação se não houver melhora. Resumo prático: icterícia que passa das primeiras semanas não é para ser “normalizada” automaticamente. O truque é observar o bebê, repetir a avaliação em pouco tempo e, se persistir, dosar bilirrubina total e direta para não deixar uma colestase passar batida.