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Medicina · IBFC · 2023

Questão comentada de Medicina

Recém-nascido de 20 dias de vida comparece para consulta de puericultura. Em aleitamento materno exclusivo, com ganho de peso de 30g por dia, com icterícia ao exame físico, sem demais alterações. Cuidadora nega colúria ou acolia fecal. Com relação à conduta mais adequada, assinale a alternativa correta.

Gabarito: D

Icterícia no recém-nascido sempre pede atenção ao tempo de vida. Nos primeiros dias, pode ser algo fisiológico, mas quando a criança já tem 20 dias e ainda está ictérica, você não deve simplesmente “esperar passar” sem reavaliar. Em bebê em aleitamento materno exclusivo, com bom ganho ponderal e sem colúria ou acolia, uma causa comum é a icterícia associada ao leite materno, que costuma ser benigna. Mesmo assim, antes de colocar tudo na conta do aleitamento, é preciso vigiar se o quadro está realmente se resolvendo. O ponto-chave aqui é não perder uma colestase neonatal. Icterícia com bilirrubina direta elevada sugere doença hepatobiliar e isso precisa ser investigado cedo, porque algumas causas exigem diagnóstico rápido. Como neste caso não há sinais de alarme, a conduta inicial é reavaliar em curto prazo e, se a icterícia persistir, pedir bilirrubinas totais e frações para afastar colestase. Por isso a alternativa D está correta: o bebê não tem indicação de suspender o aleitamento, nem de banho de sol como tratamento, e também não parece precisar de encaminhamento imediato à hepatologia sem antes confirmar persistência e fração direta. Em puericultura, o raciocínio é simples: criança bem, mas icterícia prolongada, merece seguimento próximo e investigação se não houver melhora. Resumo prático: icterícia que passa das primeiras semanas não é para ser “normalizada” automaticamente. O truque é observar o bebê, repetir a avaliação em pouco tempo e, se persistir, dosar bilirrubina total e direta para não deixar uma colestase passar batida.

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