Paciente de 66 anos, sexo masculino, apresenta sintomas do trato urinário inferior (STUI) de esvaziamento severos de longa data. Associa-se proeminentes STUI de armazenamento proporcionando importante impacto na qualidade de vida. Foi submetido a monoterapia com bloqueador α1-adrenérgico com resposta inadequada. Devido a isso, realizou estudo urodinâmico que evidenciou uma obstrução infra vesical de provável etiologia prostática, além de importante resíduo pós-miccional (> 150 ml). Logo, tendo como objetivo proporcionar melhora na qualidade de vida ao paciente supracitado, assinale a alternativa que apresenta a terapia mais efetiva.
- A)Associação de um antimuscarínico ao bloqueador α1-adrenérgico previamente prescrito
Errada, porque antimuscarínico pode ajudar sintomas de armazenamento, mas com obstrução infravesical e resíduo pós-miccional elevado há risco de piorar retenção urinária.
- B)Suspensão do bloqueador α1-adrenérgico previamente prescrito e indicação de tratamento cirúrgico para hiperplasia prostática benigna
Certa, pois há obstrução prostática confirmada, sintomas graves, falha do alfa-bloqueador e grande resíduo pós-miccional, tornando o tratamento cirúrgico a melhor opção.
- C)Indicação de aplicação de toxina botulínica intravesical para tratamento dos STUI de armazenamento
Errada, porque toxina botulínica intravesical é opção para bexiga hiperativa refratária e não trata a obstrução prostática responsável pelo quadro.
- D)Associação de um inibidor β3 - agonista ao bloqueador α1 - adrenérgico previamente prescrito
Errada, porque beta-3 agonista pode auxiliar sintomas de armazenamento, mas não resolve a obstrução infravesical e também exige cautela quando o resíduo é alto.
Gabarito: B
Nos homens com STUI por hiperplasia prostática benigna, a primeira ideia costuma ser começar com bloqueador alfa-1, porque ele melhora o fluxo urinário e reduz a obstrução funcional. Só que, quando o quadro é antigo, os sintomas são severos, há impacto importante na qualidade de vida e o tratamento clínico já falhou, você precisa pensar além do remédio que só “destrava a porta”. Neste caso, o estudo urodinâmico mostrou obstrução infravesical de provável origem prostática e ainda um resíduo pós-miccional alto, acima de 150 mL. Isso sugere que o problema não é apenas de armazenamento, mas também de esvaziamento relevante, com falha do tratamento medicamentoso isolado. Nessas condições, a conduta mais efetiva para aliviar o quadro e melhorar a qualidade de vida é o tratamento cirúrgico da HPB. A ideia de associar antimuscarínico ou beta-3 agonista faz sentido quando predominam sintomas de armazenamento, mas com cautela. Em paciente com obstrução importante e resíduo elevado, essas drogas podem piorar a retenção urinária, então não são a melhor aposta aqui. Toxina botulínica intravesical é mais usada na bexiga hiperativa refratária, e não resolve a obstrução prostática de base. Resumo de prova: quando há obstrução confirmada, sintomas graves, grande resíduo e resposta ruim ao alfa-bloqueador, a solução mais efetiva costuma ser a desobstrução cirúrgica. É o típico caso em que o exame mostra o caminho e a próstata pede passagem.