Paciente, 38 anos, apresentando hipoacusia há 1 ano. Submetido a Ressonância Nuclear Magnética que evidencia lesão expansiva intradural em ângulo pontocerebelar de aspecto hipointenso em ponderação T1 e hiperintenso em ponderação T2. Submetido a abordagem neurocirúrgica com achado histopatológico: células escamosas epiteliais fortemente queratinizadas, com uma rede de colágeno ao redor. Em torno dessas células existe o produto de descamação do epitélio, resultando em camadas anucleadas de restos celulares com queratina e cristais de colesterol, distribuídos em lâminas, como casca de cebola. Diante da história clínica, dos achados de imagem e da descrição histopatológica, assinale a alternativa correta.
- A)Trata-se de cisto epidermóide
Correta: o quadro clínico, a imagem e a histologia são típicos de cisto epidermóide intracraniano.
- B)Trata-se de oligodendroglioma
Errada: oligodendroglioma é tumor glial do SNC, sem essa localização e sem histologia com epitélio escamoso queratinizado.
- C)Trata-se de Schwanoma
Errada: schwannoma pode ocorrer no ângulo pontocerebelar e causar hipoacusia, mas a histologia é de células de Schwann, não de queratina laminada.
- D)Trata-se de cisto aracnoideo
Errada: cisto aracnoideo tem conteúdo semelhante ao líquor e não apresenta revestimento por epitélio escamoso queratinizante.
- E)Trata-se de metástase tumoral
Errada: metástase tumoral não explica o padrão histopatológico descrito nem a morfologia típica da lesão.
Gabarito: A
A lesão descrita aponta para um cisto epidermóide intracraniano, uma tumoração benigna de crescimento lento que costuma aparecer em cisternas e no ângulo pontocerebelar. O paciente pode ter sintomas compressivos insidiosos, como hipoacusia, zumbido, desequilíbrio ou cefaleia, porque a massa vai “ocupando espaço” sem fazer muita festa no começo. Na RNM, ele tende a ser hipointenso em T1 e hiperintenso em T2, o que ajuda bastante na suspeita, embora a confirmação venha mesmo da histologia. O detalhe que mata a questão é o achado anatomopatológico: células escamosas queratinizadas, com camadas anucleadas de queratina e cristais de colesterol, em aspecto laminado, tipo “casca de cebola”. Isso é clássico de cisto epidermóide, que deriva de inclusão ectodérmica e é revestido por epitélio escamoso estratificado queratinizante. É uma lesão de origem embrionária, não um tumor glial, nem meningioma, nem lesão metastática. Já o cisto aracnoideo é preenchido por líquor e não tem esse revestimento queratinizado. Schwannoma do VIII par até pode dar hipoacusia e ficar no ângulo pontocerebelar, mas a histologia seria de células de Schwann, e não de epitélio escamoso com queratina. Ou seja: a imagem ajuda, mas a histologia fecha o diagnóstico com chave de ouro. Em prova, o caminho é lembrar: hipoacusia + ângulo pontocerebelar + T1 baixo/T2 alto + queratina laminada = cisto epidermóide. Quando a banca mistura lesão do CPA com histologia de epitélio escamoso, ela quer ver se você não cai no reflexo de marcar schwannoma só porque “é o mais comum”.