A ______ é definida pela presença de tosse crônica em pacientes sem sintomas ou evidência objetiva de broncoconstrição com resposta broncodilatadora e/ou hiperresponsividade das vias aéreas, associada à presença de eosinofilia no escarro (eosinófilos = 3.0%). Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
- A)Síndrome de Churg-Strauss
Errada: a síndrome de Churg-Strauss é uma vasculite eosinofílica sistêmica, não uma definição de tosse crônica isolada.
- B)Síndrome de Lofgren
Errada: a síndrome de Lofgren é uma forma aguda de sarcoidose, com artrite, eritema nodoso e adenopatia hilar.
- C)Bronquite eosinofílica sem asma
Certa: descreve bronquite eosinofílica sem asma, com tosse crônica, eosinofilia no escarro e sem broncoconstrição objetiva.
- D)Tosse variante da asma
Errada: tosse variante da asma envolve asma como base fisiopatológica e costuma haver hiperresponsividade brônquica.
- E)Síndrome de Loeffer
Errada: a síndrome de Loeffler está ligada a infiltrados pulmonares transitórios, geralmente por parasitoses ou hipersensibilidade, e não a esse quadro de tosse crônica.
Gabarito: C
A bronquite eosinofílica sem asma é uma causa clássica de tosse crônica em que o paciente tem inflamação eosinofílica nas vias aéreas, mas não apresenta broncoespasmo típico de asma. Em outras palavras: a tosse aparece, o escarro vem com eosinófilos aumentados, mas a espirometria e a prova broncodilatadora não mostram obstrução reversível, nem há hiperresponsividade brônquica objetiva. É aquele quadro em que o pulmão "coça", mas não fecha como na asma. O ponto-chave da questão é justamente a combinação de tosse crônica + ausência de evidência objetiva de broncoconstrição + eosinofilia no escarro, com corte em torno de 3%. Isso define bronquite eosinofílica sem asma. O tratamento costuma responder bem a corticosteroide inalatório, o que ajuda ainda mais a reforçar o diagnóstico na prática. Já a tosse variante da asma também pode cursar com tosse crônica, mas aí existe relação com asma: normalmente há hiperresponsividade brônquica e/ou resposta broncodilatadora, mesmo que o sintoma principal seja a tosse. Por isso ela não serve para o enunciado, que faz questão de negar broncoconstrição e hiperresponsividade. Resumo de prova: se a questão falar em tosse crônica, eosinófilos no escarro e ausência de asma objetiva, pense em bronquite eosinofílica sem asma. Não há um fundamento legal aqui, mas a definição é doutrinária/clínica e cai muito em pneumologia com essa formulação quase pronta.