Assinale as afirmativas abaixo sobre TRATAMENTOS DE FARINGOTONSILITES RECORRENTES: I. A Penicilina/Amoxicilina é o antimicrobiano de eleição no tratamento da faringotonsilite recorrente. Nos casos refratários, deverão ser usados antibióticos que tenham ação contra bactérias produtoras de betalactamases. II. A tonsilectomia pode ser indicada apenas quando o tratamento se mostrar ineficaz e se estiver de acordo com os Critérios de Paradise. III. A quantificação dos episódios agudos pode ser útil para a tomada da conduta, porém a avaliação clínica global é que orienta de forma mais segura em relação à decisão a ser tomada. Estão corretas as afirmativas.
- A)I, II e III
Esta alternativa reúne as três afirmativas como corretas, e isso está de acordo com a conduta clássica nas faringotonsilites recorrentes. A penicilina ou a amoxicilina seguem como primeira escolha quando há suspeita de estreptococo, e, nos casos de recorrência ou falha terapêutica, faz sentido ampliar a cobertura para germes produtores de beta-lactamase. Além disso, a indicação cirúrgica costuma ser reservada aos casos que preencham os Critérios de Paradise, com decisão apoiada não só na contagem dos episódios, mas também na avaliação clínica global.
- B)I e III, apenas
Esta alternativa afirma que apenas as afirmativas I e III estariam corretas, deixando de fora a ideia de que a tonsilectomia pode ser indicada nos casos recorrentes que preencham os Critérios de Paradise após falha do tratamento clínico. O problema é que a afirmativa II traduz justamente o raciocínio usado para indicar a cirurgia em quadros de recorrência documentada, e não contraria a prática aceita. Portanto, o erro está em excluir uma assertiva que também está amparada pela abordagem clínica e pelos critérios clássicos de indicação.
- C)I e II, apenas
Aqui se sustenta que apenas I e II estariam certas, mas a afirmativa III também está correta ao dizer que a simples contagem dos episódios ajuda, embora não seja o único elemento da decisão. Nos critérios de Paradise, a frequência das crises é importante, porém a indicação deve considerar documentação, gravidade e impacto clínico, o que confirma a necessidade de uma avaliação mais ampla. Assim, a alternativa falha por desconsiderar uma proposição que expressa exatamente essa lógica de decisão.
- D)I, apenas
Esta opção limita a correção apenas à afirmativa I, que trata da penicilina/amoxicilina como antibiótico de escolha e da necessidade de cobertura contra beta-lactamase nos casos refratários. Ocorre que a afirmativa II também corresponde ao uso dos Critérios de Paradise para orientar a tonsilectomia em faringotonsilites recorrentes, e a III reforça que a decisão não depende só do número de episódios. Logo, a alternativa fica incompleta por excluir duas ideias que fazem parte da conduta correta.
- E)III, apenas
A alternativa reconhece apenas a afirmativa III, isto é, a utilidade de quantificar os episódios agudos sem perder de vista a avaliação clínica global. Embora essa observação seja correta, ela não esgota o tema, porque a I também traz a terapêutica antimicrobiana usual e a II descreve a indicação cirúrgica baseada nos Critérios de Paradise. Por isso, a opção erra ao transformar em única verdadeira uma assertiva que é apenas parte do conjunto correto.
Gabarito: A
A faringotonsilite recorrente exige olhar menos para uma crise isolada e mais para o padrão de repetição ao longo do tempo. Quando a suspeita é de origem bacteriana, a Penicilina ou a Amoxicilina continuam sendo opções de primeira linha, e nos casos em que o quadro volta apesar do tratamento, faz sentido pensar em agentes com ação contra bactérias produtoras de beta-lactamases. Isso é clássico em provas e conversa com a lógica de falha terapêutica por resistência ou coinfecção. A tonsilectomia não entra como solução automática. Ela costuma ser considerada quando o tratamento clínico não resolve e quando a história se encaixa nos Critérios de Paradise, que são usados para definir recorrência significativa e indicar cirurgia com mais segurança. Em outras palavras: não é só contar episódios no caderninho, é avaliar frequência, gravidade e impacto real. E aqui mora o ponto mais bonito da questão: a quantificação dos episódios ajuda, mas não manda sozinha. A conduta final depende da avaliação clínica global, porque o médico precisa juntar número de crises, documentação, intensidade dos sintomas e repercussão para decidir com segurança. Por isso, as três afirmativas estão corretas e o gabarito é a letra A. Em prova, pense assim: antibiótico de escolha, exceções para falha terapêutica e cirurgia só quando o conjunto da obra justificar. A banca gosta muito de cobrar esse equilíbrio entre dado objetivo e julgamento clínico.