Mulher, 50 anos, procurando atendimento médico ambulatorial com queixa de dor em choque na face à direita. Relata que a dor é desencadeada pelo ato de mastigar ou escovar os dentes. Iniciado tratamento com carbamazepina 900mg/dia sem resposta clínica adequada. A respeito do quadro descrito, assinale a alternativa correta a respeito da artéria mais frequentemente envolvida nos quadros compressivos trigeminais.
- A)Artéria cerebelar superior
Certa: a artéria cerebelar superior é a causa vascular mais comum de compressão do nervo trigêmeo na neuralgia trigeminal.
- B)Artéria cerebelar postero inferior
Errada: a artéria cerebelar postero inferior é mais lembrada na compressão do nervo facial, não como a principal no trigêmeo.
- C)Artéria coroideia anterior
Errada: a artéria coroideia anterior não é a associação clássica com compressão neurovascular do trigêmeo.
- D)Artéria cerebral posterior
Errada: a artéria cerebral posterior pode participar de outros territórios vasculares, mas não é a mais frequentemente envolvida aqui.
- E)Artéria meníngea média
Errada: a artéria meníngea média se relaciona mais com o risco de hematoma epidural, não com neuralgia trigeminal compressiva.
Gabarito: A
A dor em choque, unilateral, desencadeada por mastigação, fala ou escovação dos dentes é bem típica de neuralgia do trigêmeo. O ponto central aqui é lembrar que, na maioria dos casos, o problema não é uma lesão “dentro” do nervo, mas sim uma compressão vascular na zona de entrada da raiz trigeminal no tronco encefálico. Essa irritação mecânica deixa o nervo hiperexcitável e provoca as crises curtas, intensas e em pontadas que o paciente descreve. Quando se fala em compressão vascular do trigêmeo, a artéria mais frequentemente envolvida é a artéria cerebelar superior. Ela costuma fazer alça e tocar a raiz do V par craniano na região do ângulo pontocerebelar, o que explica por que esse é o gabarito. Em prova, esse detalhe é clássico: neuralgia do trigêmeo + compressão neurovascular = pense primeiro na cerebelar superior. A carbamazepina é tratamento de primeira linha, então o uso dela no enunciado já ajuda a reforçar o diagnóstico. Se houve pouca resposta, isso não muda a anatomia do problema. O que a banca quer aqui é a associação entre o quadro clínico e a artéria mais ligada à compressão, não uma causa infecciosa, tumoral ou dentária. Em resumo: a clínica aponta para neuralgia trigeminal, e a artéria mais frequentemente implicada na compressão é a artéria cerebelar superior. É aquele tipo de detalhe que parece pequeno, mas em neurologia de concurso faz toda a diferença.