Paciente procura auxílio médico com corrimento uretral branco, de predomínio noturno, associado a disuria inicial. Refere relações sexuais desprotegidas há 21 dias, início dos sintomas há 2 dias. Sobre o caso, assinale a alternativa correta.
- A)Após bacterioscopia a fresco posivito com resultado de diplococcus intracelulares graam negativos é possível tratar com Ceftriaxone 500 miligramas dose única.
Errada, porque a bacterioscopia positiva ajuda no diagnóstico da gonorreia, mas a conduta não deve se limitar apenas a esse achado, e o esquema terapêutico precisa ser pensado conforme a situação clínica e diretrizes vigentes.
- B)O quadro clinico é compatível com uretrite gonocócica, porém caso não esteja, disponível bacterioscopia, o tratamento devera englobar a síndrome uretral.
Errada, porque o caso sugere uretrite por IST, mas na ausência de bacterioscopia a conduta é sindrômica e deve cobrir os agentes mais prováveis, com abordagem completa do paciente e das parcerias.
- C)Está indicado aconselhamento sobre infecções sexualmente transmissíveis, além de sorologias para HIV, sífilis e hepatites, além de vacinação, notificação, tratamento de parceiras (os) e retorno após tratamento.
Certa, porque o manejo de IST inclui aconselhamento, sorologias, vacinação quando indicada, notificação, tratamento das parcerias e retorno após o tratamento.
- D)Trata-se de uma uretrite não gonocócica clássica e o tratamento com azitromicina 1 grama, dose única, está indicada, isoladamente.
Errada, porque uretrite não gonocócica não deve ser simplificada como tratamento isolado com azitromicina 1 g dose única em todos os casos.
- E)A bacteriscopia a fresco é exame fundamental para o tratamento das síndromes uretrais, não sendo possível o adequado tratamento antes de sua realização.
Errada, porque o tratamento das síndromes uretrais pode e deve ser iniciado com base na clínica e na abordagem sindrômica, sem depender exclusivamente da bacterioscopia.
Gabarito: C
Corrimento uretral com disúria em homem jovem, após relação desprotegida, faz pensar primeiro em uretrite por IST, especialmente gonocócica. O quadro clássico da gonorreia costuma ter início mais rápido, com secreção purulenta, mas a clínica pode variar e a abordagem inicial precisa ser ampla o suficiente para cobrir as principais causas de uretrite. Na prática, quando não há confirmação imediata por bacterioscopia ou quando a hipótese sindrômica é a mais segura, o tratamento deve abranger a síndrome uretral, e não ficar preso a uma única prova de laboratório. A alternativa correta é a C porque, além de tratar, você não pode esquecer o pacote completo de cuidado em IST: aconselhamento, testagem para HIV, sífilis e hepatites, vacinação quando indicada, notificação conforme a doença, tratamento das parcerias sexuais e retorno para reavaliação. Isso é a conduta esperada em saúde sexual e prevenção de reinfecção, algo bem cobrado em prova e muito cobrado na vida real também. A bacterioscopia pode ajudar bastante, mostrando diplococos gram-negativos intracelulares na gonorreia, mas ela não substitui a avaliação clínica nem o cuidado com o parceiro. E atenção: uretrite não gonocócica não é sinônimo de azitromicina isolada em dose única em qualquer situação; o esquema depende do cenário clínico e das diretrizes locais, que frequentemente priorizam outras estratégias. Resumo de prova: pense em IST, pense em abordagem sindrômica, e pense em manejar o paciente inteiro, não só o corrimento. A banca gosta muito desse passo a mais, porque é ele que separa um tratamento “de receita” de uma conduta realmente correta.