Em relação ao tratamento cirúrgico da atresia de esôfago, assinale a alternativa correta.
- A)A veia ázigos não deve ser ligada devido ao elevado risco de sangramento e potenciais danos à drenagem venosa sistêmica
Errada: a veia ázigos pode ser ligada ou preservada conforme a necessidade de exposição cirúrgica, não sendo uma proibição absoluta.
- B)O nervo vago direito deve ser ligado para permitir ampliação do campo cirúrgico, facilitando a anastomose entre os cotos
Errada: o nervo vago não deve ser ligado, porque sua lesão traz risco funcional importante e não faz parte da técnica.
- C)O acesso descrito por Marchese envolve toracotomia posterior na região da escápula com afastamento dos músculos trapézio, grande dorsal e romboide
Errada: o acesso de Marchese não é descrito como essa toracotomia posterior com afastamento muscular amplo, como a alternativa sugere.
- D)Não há necessidade de rafia traqueal em casos de fístulas traqueoesofágicas distais pequenas
Certa: em fístulas traqueoesofágicas distais pequenas, o fechamento da fístula costuma ser suficiente, sem necessidade de rafia traqueal ampla.
- E)A anastomose entre os cotos esofágicos deve ser preferencialmente realizada com suturas contínuas em dois planos
Errada: a anastomose esofágica não é preferencialmente feita em dois planos contínuos; em geral, busca-se técnica que reduza tensão e preserve vascularização, muitas vezes com sutura interrompida.
Gabarito: D
Na atresia de esôfago, o foco da cirurgia é restabelecer a continuidade esofágica e tratar a fístula traqueoesofágica quando ela existe. O que mais cai em prova é que, na abordagem clássica, o cirurgião entra por toracotomia direita e faz a correção com anastomose dos cotos, sempre com cuidado para não criar tensão excessiva nem lesar estruturas vizinhas. A fístula traqueoesofágica distal, que é a forma mais comum, deve ser identificada e fechada. Mas, quando ela é pequena, não há necessidade de uma rafia traqueal ampla ou agressiva: o fechamento simples do trajeto fistuloso costuma ser suficiente, com controle adequado do coto traqueal. Isso evita manobras desnecessárias numa cirurgia já delicada por natureza. Por isso o gabarito é a letra D. A banca quer que você saiba que o tratamento é direcionado ao defeito anatômico principal, sem inventar um reparo traqueal maior do que o necessário. Em resumo: fechou a fístula, corrigiu a atresia e evitou tensão na anastomose, já está no caminho certo. As demais alternativas trazem erros clássicos de técnica cirúrgica ou de anatomia do acesso. Em prova, a pegadinha costuma misturar detalhes reais com exageros que parecem plausíveis, mas não fazem parte da conduta padrão.