Mulher de 24 anos com colelitíase e coledocolitiase, foi submetida a colecistectomia seguida de coledocotomia por videolaparoscopia com retirada de um cálculo de 1,8 cm do colédoco. Optado pela colocação de dreno de kehr. Paciente recebeu alta no 2º pós operatório. Com relação ao dreno de kehr, a melhor conduta é:
- A)realizar colangiografia pelo dreno após 3 semanas.
Correta, porque a colangiografia pelo dreno de Kehr após cerca de 3 semanas avalia a perviedade da via biliar e a ausência de cálculo residual antes da retirada.
- B)realizar colangioressonância antes de sacar o dreno.
Errada, porque a colangiorressonância não é o exame padrão de rotina para decidir a retirada do Kehr no pós-operatório imediato.
- C)sacar o dreno em 2 semanas se laboratoriais normais.
Errada, porque retirar o dreno apenas com 2 semanas e laboratórios normais ignora a necessidade de maturação do trajeto e de controle radiológico da via biliar.
- D)programar CPRE com papilotomia antes do saque.
Errada, porque a CPRE com papilotomia não é conduta rotineira antes da retirada do Kehr se o controle colangiográfico puder ser feito pelo próprio dreno.
Gabarito: A
O dreno de Kehr, ou T-tube, costuma ser usado após coledocotomia para descomprimir a via biliar e permitir um acesso seguro ao colédoco no pós-operatório. A ideia não é sair tirando o dreno logo que a paciente vai bem: antes, você quer ter certeza de que não ficou cálculo residual, não há fuga biliar e o fluxo para o duodeno está ok. Por isso, a conduta clássica é fazer colangiografia pelo dreno cerca de 3 semanas depois da cirurgia. Esse prazo é importante porque o trajeto ao redor do dreno precisa amadurecer, reduzindo o risco de extravasamento de bile quando ele for removido. Em geral, o exame confirma se a via biliar está pérvia e se não há obstáculo distal. É a etapa “teste de estrada” antes de soltar a paciente de vez. Se a colangiografia estiver normal, aí sim se programa a retirada do Kehr. Se mostrar cálculo residual ou obstrução, você ainda tem uma porta aberta para conduta complementar. Esse é um manejo bem clássico em cirurgia geral e cai bastante em prova porque mistura técnica cirúrgica com tempo de retirada e exame de controle. Então, no caso descrito, a melhor conduta é justamente aguardar cerca de 3 semanas e realizar colangiografia pelo dreno antes de sacá-lo.