Homem de 50 anos, cirrótico por vírus B, apresentou melena e hematêmese há 2 dias, sem dor epigástrica. EF: descorado, ictérico, PA 65 x 40 mmHg, FC 120 bpm, eritema palmar, flapping, ascite, circulação colateral, edema de membros inferiores e melena ao toque. Exames laboratoriais: Hb 7,8 g/dL, plaquetas 82.000/mm3 . Assinale a alternativa correta.
- A)Octreotide devem ser iniciadas após a endoscopia confirmar que o sangramento é por varizes gástricas ou esofágicas.
Errada, porque octreotide deve ser iniciado assim que houver suspeita de sangramento varicoso, antes da endoscopia, e não apenas depois da confirmação.
- B)Deve-se realizar endoscopia digestiva alta imediatamente.
Errada, porque a endoscopia não deve ser feita de forma imediata em paciente em choque sem estabilização inicial; primeiro vem a ressuscitação.
- C)A endoscopia deverá ser realizada após a hemotransfusão de concentrados de hemácias.
Errada, porque a endoscopia não precisa aguardar hemotransfusão completa, embora a reposição seja parte do manejo inicial e ocorra em paralelo.
- D)Se o sangramento for refratário e a instabilidade persistir, deve-se realizar a passagem do balão de Sengstaken-Blackmore.
Certa, pois o balão de Sengstaken-Blackmore é medida de resgate temporária quando o sangramento varicoso é refratário e a instabilidade persiste.
Gabarito: D
Em cirrótico com hematêmese, melena e sinais de choque, pense primeiro em hemorragia digestiva alta varicosa até prova em contrário. Nessa situação, a conduta não é ficar esperando a endoscopia nem “deixar para depois” o tratamento vasoativo: o paciente precisa de estabilização hemodinâmica, reposição volêmica criteriosa, transfusão conforme necessidade, antibiótico profilático e terapia para sangramento por varizes já na suspeita clínica. Na prática, a endoscopia deve ser feita cedo, mas após alguma estabilização inicial, porque o doente está em instabilidade grave. O ponto-chave da questão é o sangramento refratário com instabilidade persistente. Quando a hemorragia não controla e a pressão segue caindo, o balão de Sengstaken-Blackmore pode ser usado como medida temporária de resgate, funcionando como uma ponte até tratamento definitivo, como ligadura elástica, TIPS ou outra intervenção. Ele não é o tratamento final, mas salva tempo quando o paciente está “escapando pelas mãos”. Então, o gabarito D está correto porque descreve exatamente a conduta de resgate em sangramento varicoso grave e refratário. Em termos práticos, o balão entra quando a endoscopia e as medidas iniciais não dão conta da hemorragia e a instabilidade continua. A lógica clínica aqui é simples: primeiro estabiliza, depois fecha a torneira definitiva; se não der, aperta provisoriamente com o balão.