Os valores de pressão arterial (PA) na infância e na adolescência são os melhores preditores dos valores de PA na idade adulta. Sobre a hipertensão arterial na criança e no adolescente é INCORRETO afirmar que:
- A)Quanto maior a criança e mais elevado o valor da medida de PA, maior a chance de se tratar de hipertensão de causa secundária.
Errada, porque a hipertensão secundária é mais suspeita em crianças menores, e não quanto maior a criança.
- B)Na aferição da PA recomenda-se a escolha de manguito cuja bolsa inflável apresente largura aproximadamente equivalente a 40% da circunferência do braço, e comprimento da de aproximadamente 90% da circunferência do braço para evitar que o valor da medida seja superestimado.
Certa, pois o manguito deve ter largura em torno de 40% e comprimento de cerca de 90% da circunferência do braço para evitar superestimação da PA.
- C)Na maioria dos pacientes de até 10 anos de idade, pode-se identificar uma causa para o desenvolvimento de hipertensão arterial, em geral associada à doença renal.
Certa, já que na maioria dos casos em menores de 10 anos é possível encontrar causa, frequentemente renal, para a hipertensão.
- D)O aumento da prevalência de obesidade na criança e no adolescente deslocou a manifestação da hipertensão primária, associada à síndrome metabólica, tradicionalmente encontrada no adulto, para a faixa etária pediátrica.
Certa, porque a obesidade aumentou a hipertensão primária na faixa pediátrica, associada à síndrome metabólica.
Gabarito: A
Na criança e no adolescente, a hipertensão arterial merece leitura com olho clínico e medida bem feita. A primeira pegadinha é lembrar que, diferentemente do adulto, a causa secundária é muito mais frequente, especialmente nos menores e nos casos com pressão mais alta. Por isso, quanto menor a idade e mais importante a elevação da PA, maior a suspeita de doença renal, endócrina, vascular ou outra causa secundária. Outro ponto clássico é a técnica da aferição: manguito inadequado bagunça o resultado. Se a bolsa inflável for muito estreita ou curta para o braço, a pressão tende a ficar falsamente elevada; por isso, usa-se largura em torno de 40% da circunferência do braço e comprimento de cerca de 80% a 100%, frequentemente descrito como 90%. Esse cuidado vem das recomendações pediátricas de aferição da PA, porque medir mal é quase pedir para errar o diagnóstico. Com o aumento da obesidade infantil, a hipertensão primária, antes mais lembrada no adulto, passou a aparecer mais cedo e com associação à síndrome metabólica. Ainda assim, em crianças pequenas, a hipertensão secundária continua sendo a principal preocupação. Em geral, quanto mais novo o paciente, mais você deve procurar uma causa orgânica por trás. Assim, o item incorreto é o que inverte essa lógica ao dizer que quanto maior a criança e mais alto o valor da PA, maior a chance de hipertensão secundária. Na prática, ocorre o contrário: a suspeita de causa secundária é maior nos menores e nos casos mais graves ou atípicos.