As hepatites virais são doenças causadas por diferentes vírus hepatotrópicos que apresentam características epidemiológicas, clínicas e laboratoriais distintas. Possuem distribuição universal e são observadas diferenças regionais de acordo com o agente etiológico. Sobre as hepatites virais, assinale a alternativa incorreta.
- A)As hepatites virais A e E são transmitidas pela via fecal-oral e estão relacionadas às condições de saneamento básico, higiene pessoal, qualidade da água e dos alimentos.
Correta: hepatites A e E são tipicamente transmitidas por via fecal-oral e se relacionam com saneamento, higiene e qualidade da água/alimentos.
- B)A aspartato aminotransferase (AST/TGO) e a alanino aminotransferase (AST/TGP) são marcadores de agressão hepatocelular específicos e indispensáveis para confirmação do diagnóstico das hepatites virais.
Errada: AST e ALT indicam lesão hepatocelular, mas não são marcadores específicos nem indispensáveis para confirmar hepatite viral.
- C)A presença do marcador sorológico Anti-HAV IgM define o diagnóstico de hepatite aguda A e é detectada a partir do segundo dia do início dos sintomas da doença.
Correta: o anti-HAV IgM confirma hepatite A aguda e costuma aparecer no início do quadro sintomático.
- D)O anti-HCV (anticorpo contra o HCV) é o marcador que indica contato prévio com o vírus, sendo detectado na infecção aguda ou crônica e no paciente curado.
Correta: o anti-HCV indica contato prévio com o vírus e pode permanecer positivo na infecção aguda, crônica ou mesmo após cura.
Gabarito: B
As hepatites virais podem parecer todas “irmãs”, mas cada uma tem seu jeitinho de transmissão, exames e evolução. As hepatites A e E costumam seguir a via fecal-oral, então saneamento, água tratada e higiene fazem muita diferença. Já a hepatite C, por exemplo, entra mais na lógica de exposição sanguínea e precisa de sorologia e, muitas vezes, de PCR para fechar o raciocínio. Na prática, AST/TGO e ALT/TGP ajudam muito porque sobem quando há agressão ao fígado, mas não são marcadores específicos de hepatite viral. Elas funcionam como um alarme de inflamação ou lesão hepatocelular, e não como prova de qual vírus causou o problema. Por isso, dizer que são “específicas e indispensáveis para confirmação” exagera bastante a história. O gabarito é a letra B justamente por esse motivo: o diagnóstico das hepatites virais não se confirma apenas com transaminases. A confirmação costuma vir da combinação entre quadro clínico, enzimas hepáticas e sorologias específicas, como anti-HAV IgM na hepatite A ou marcadores do HBV e HCV. Em outras palavras, as transaminases avisam que há incêndio, mas não dizem sozinhas quem acendeu o fósforo. Esse é um ponto clássico de prova: a banca gosta de confundir marcador de lesão com marcador etiológico. Então, sempre desconfie quando uma alternativa tratar AST e ALT como se fossem exame diagnóstico definitivo de hepatite viral.