A tuberculose é um importante problema de saúde mundial e exige implementação de estratégias para o seu controle. A atividade de controle e acompanhamento de pessoas que convivem no mesmo ambiente que um paciente diagnosticado com tuberculose deve ser considerada uma ferramenta importante para prevenir o adoecimento e diagnosticar precocemente casos de doença ativa na população. Sobre essa atividade de controle e acompanhamento, assinale a alternativa incorreta.
- A)O paciente que recebe o diagnóstico de tuberculose deve ser entrevistado o quanto antes para a identificação das pessoas de seu convívio, que serão consideradas contatos.
Está certa, porque o caso índice deve ser entrevistado rapidamente para identificar os contatos e iniciar a investigação o quanto antes.
- B)O controle de pessoas que convivem no mesmo ambiente que um paciente diagnosticado com tuberculose deve ser realizado fundamentalmente pela Atenção Básica do município.
Está certa, porque a Atenção Básica é a porta de entrada e o eixo principal do acompanhamento dos contatos na rede de saúde.
- C)Todas as pessoas consideradas contatos deverão ser convidados a comparecerem à Unidade Básica de Saúde para realizarem investigação diagnóstica ampliada com radiografia de tórax e baciloscopia de escarro.
Está errada, porque nem todo contato deve obrigatoriamente fazer radiografia de tórax e baciloscopia de escarro; os exames dependem da avaliação clínica e do risco.
- D)Pessoas consideradas contatos, que possuam história prévia de tuberculose, tratadas anteriormente com quaisquer resultados da prova tuberculínica, não devem ser tratadas para infecção latente de tuberculose.
Está certa, porque pessoas com tuberculose prévia tratada não entram, em regra, como candidatas ao tratamento de infecção latente apenas por serem contatos.
Gabarito: C
Na tuberculose, localizar e acompanhar os contatos do paciente é uma das medidas mais importantes para quebrar a cadeia de transmissão e descobrir casos cedo. Em geral, primeiro vem a entrevista do caso índice para mapear quem mora junto, convive perto ou ficou exposto por tempo relevante. Depois, a avaliação dos contatos é organizada pela Atenção Básica, com busca ativa e orientação conforme o risco de cada pessoa. O ponto-chave da questão está na alternativa C. Ela exagera ao dizer que todas as pessoas contato devem, obrigatoriamente, fazer investigação ampliada com radiografia de tórax e baciloscopia de escarro. Na prática, a avaliação não é igual para todo mundo: depende de sintomas, idade, vulnerabilidades e possibilidade de doença ativa. Nem todo contato vai precisar de baciloscopia, especialmente se não tiver tosse ou outros sinais respiratórios. O raciocínio correto é: primeiro identificar os contatos, depois fazer triagem clínica e, se houver suspeita de doença ativa, aí sim pedir exames como radiografia e pesquisa bacteriológica. Esse fluxo é compatível com as diretrizes do Ministério da Saúde para vigilância e controle da tuberculose, que priorizam atenção primária, busca ativa e investigação dirigida. Resumo de prova: contato não é sinônimo de "faz todo exame para todo mundo". A investigação é estratégica, proporcional ao risco e ao quadro clínico. É exatamente aí que a banca costuma tentar escorregar você para o exagero.