Paciente de 68 anos de idade, portador de câncer de pulmão com metástases ósseas, comparece ao pronto atendimento com queixa de dor aguda e de forte intensidade, em região lombar, com irradiação para os membros inferiores, que piora ao se deitar, tossir e fazer esforço evacuatório. Refere ter iniciado há cerca de cinco dias o seu tratamento oncológico com quimioterapia e imunoterapia. Qual é a suspeita diagnóstica mais provável, e o que pode ser realizado para o quadro atual do paciente?
- A)Compressão medular. Administração de antiandrogênico periférico previamente ao início do uso do agonista de LHRH.
Errada: descreve uma conduta relacionada a câncer de próstata e bloqueio androgênico, não ao quadro de dor lombar com suspeita de compressão medular.
- B)Tromboembolismo pulmonar. Administração de enoxaparina profilática no momento do diagnóstico oncológico.
Errada: tromboembolismo pulmonar não explica esse padrão de dor lombar irradiada e piora aos esforços evacuatórios, e enoxaparina profilática não trata esse quadro agudo.
- C)Síndrome de lise tumoral. Hidratação venosa e administração de alopurinol previamente ao início do tratamento.
Errada: síndrome de lise tumoral ocorre tipicamente após início de terapia em neoplasias com alta carga tumoral, mas o quadro clínico descrito é de compressão medular, não de distúrbio metabólico por lise.
- D)Compressão medular. Avaliação imediata de sintomas e realização de propedêutica imaginológica, com encaminhamento à radioterapia e / ou neurocirurgia.
Certa: o quadro sugere compressão medular metastática, exigindo avaliação imediata, imagem urgente e encaminhamento para radioterapia e/ou neurocirurgia.
Gabarito: D
A dor lombar aguda, intensa, com irradiação para os membros inferiores, piorando ao tossir, deitar e fazer esforço evacuatório, em paciente com câncer de pulmão e metástases ósseas, acende um alerta clássico de compressão medular por lesão metastática. Em oncologia, isso é uma urgência real: a medula espinhal pode sofrer compressão por tumor, fratura patológica ou colapso vertebral, e o atraso no reconhecimento pode deixar déficit neurológico permanente. O quadro costuma vir com dor axial importante, muitas vezes com padrão radicular, e pode evoluir com fraqueza, alteração sensitiva e disfunção esfincteriana. Diante da suspeita, não dá para esperar “ver se melhora”. O correto é avaliação imediata dos sintomas, exame neurológico direcionado e propedêutica imaginológica, com destaque para a ressonância magnética da coluna, que é o exame de escolha para confirmar compressão medular. Em paralelo, o paciente deve ser encaminhado com rapidez para tratamento definitivo, que pode envolver radioterapia e/ou neurocirurgia, conforme o nível da compressão, o estado funcional e a resposta tumoral esperada. É exatamente isso que a alternativa D descreve. A lógica aqui é de urgência oncológica: reconhecer cedo, imagem rápido e tratar rápido. O objetivo é aliviar a compressão antes que a lesão neurológica se torne irreversível. Na prática, a banca quer que você pense em “dor vertebral em paciente com câncer = compressão medular até prova em contrário”.