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Medicina · FUNDATEC · 2025

Questão comentada de Medicina

Um homem de 44 anos, com histórico de etilismo crônico, vem à emergência com queixa de dor epigástrica intensa irradiada para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos há 12 horas. Ao exame físico, encontra-se com FC 110 bpm, PA 110/70 mmHg, Tax 38,5°C, com abdome distendido e doloroso à palpação profunda no epigástrio. Laboratorialmente, observa-se amilase 600 U/L e lipase 900 U/L, além de leucocitose e aumento de PCR. A tomografia computadorizada (TC) de abdome revela edema e alterações inflamatórias ao redor do pâncreas, sem necrose evidente. Após o manejo inicial com hidratação intravenosa vigorosa e analgesia, o paciente mantém-se clinicamente estável. Qual das condutas abaixo é a mais apropriada para o manejo subsequente?

Gabarito: B

O quadro é de pancreatite aguda, muito provavelmente de causa alcoólica: dor epigástrica intensa irradiando para as costas, aumento de amilase e lipase, e TC com edema e inflamação peripancreática. Depois da estabilização inicial com hidratação vigorosa, controle da dor e suporte clínico, a conduta seguinte em um paciente estável é alimentar cedo, de preferência por via oral se ele tolerar, ou por nutrição enteral se não conseguir comer. O intestino funcionando é seu aliado aqui, não um inimigo a ser deixado em jejum por tempo demais. Esse é um ponto clássico: na pancreatite aguda leve ou sem complicações, a alimentação enteral precoce reduz complicações, preserva a barreira intestinal e diminui risco de infecção e piora clínica. Em outras palavras, antigamente o paciente ficava em jejum prolongado, mas hoje a lógica mudou: se ele melhorar e tolerar, você reintroduz dieta cedo. Em geral, não é preciso esperar "normalizar tudo" para começar a alimentar. A tomografia não mostra necrose, não há sinais de colangite nem de obstrução biliar a exigir procedimento urgente. Também não há indicação de antibiótico profilático, porque isso não previne infecção em pancreatite aguda estéril e só adiciona risco de efeitos adversos e resistência. Em resumo: paciente estável, pancreatite sem necrose e sem complicação biliar = suporte clínico e nutrição enteral precoce.

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