Paciente com doença ocular tireoidiana tem diplopia por hipotropia do olho direito. O paciente está estável por um ano e irá realizar cirurgia de descompressão orbitária em 2 meses. Como deve ser manejado o estrabismo?
- A)Ressecar o reto superior com técnica ajustável no momento da descompressão.
Errada, porque operar o reto superior no momento da descompressão pode ficar desatualizado após a mudança anatômica causada pela cirurgia orbitária.
- B)Retroceder o reto inferior direito com técnica ajustável no momento da descompressão.
Errada, porque retroceder o reto inferior no mesmo tempo da descompressão não é a sequência recomendada e pode gerar alinhamento imprevisível.
- C)Retroceder o reto inferior direito antes da cirurgia de descompressão.
Errada, porque a cirurgia de estrabismo não deve ser feita antes da descompressão orbitária, já que a posição ocular ainda pode mudar bastante.
- D)Reavaliar para cirurgia de estrabismo após a descompressão orbitária.
Certa, porque o estrabismo deve ser reavaliado e tratado somente após a descompressão orbitária, quando o desvio estiver estável.
- E)Retroceder o reto superior esquerdo após a descompressão orbitária.
Errada, porque atuar no reto superior contralateral após a descompressão não é a conduta padrão e não substitui a reavaliação global do desvio.
Gabarito: D
Na doença ocular tireoidiana, a diplopia costuma acontecer por restrição muscular e desalinhamento dos olhos, o que pode variar ao longo da fase ativa da doença. Por isso, a lógica do tratamento cirúrgico tem uma ordem bem definida: primeiro descompressão orbitária, depois, se ainda houver estrabismo, faz-se a cirurgia dos músculos extraoculares. É aquele passo a passo clássico que evita corrigir "no alvo errado". Se o paciente vai fazer descompressão orbitária em 2 meses, o estrabismo ainda não deve ser operado agora. A descompressão pode mudar a posição dos olhos e alterar o desvio, então qualquer cirurgia de alinhamento feita antes pode perder o efeito ou até piorar a diplopia. Em doença tireoidiana, a regra prática é esperar a órbita ser descomprimida e o desvio ficar estável antes de mexer no estrabismo. Além disso, como o paciente está estável há um ano, isso sugere que já saiu da fase inflamatória ativa, mas ainda assim a descompressão programada muda o cenário mecânico. Ou seja: o estrabismo só deve ser reavaliado depois do procedimento orbitário, quando for possível medir o desvio final e decidir o músculo certo a operar. A ideia é simples: primeiro arruma o espaço, depois alinha a mira. Portanto, o gabarito D está correto porque a cirurgia de estrabismo deve ser postergada para depois da descompressão orbitária, com nova avaliação posterior. Esse é o manejo consagrado na prática oftalmológica e em diretrizes de doença ocular tireoidiana, para reduzir risco de recidiva e de correção inadequada.