Qual das alternativas abaixo indica o tipo de fratura que tem a menor chance de consolidação sem cirurgia?
- A)Fratura do Odontoide do tipo II.
Certa: a fratura do odontoide tipo II é a que mais frequentemente não consolida com tratamento conservador, por ser instável e ter pior vascularização.
- B)Fratura do enforcado (hangman's).
Errada: a fratura do enforcado costuma ter melhor chance de consolidação sem cirurgia quando é estável e bem alinhada.
- C)Fratura de Jefferson com deslocamento das massas laterais de 34mm e ligamento transverso do atlas intacto.
Errada: a fratura de Jefferson com ligamento transverso intacto tende a ser mais estável e pode consolidar sem cirurgia em muitos casos.
- D)Fratura do Odontóide do tipo I.
Errada: a fratura do odontoide tipo I é, em geral, estável e tem boa chance de consolidação sem necessidade cirúrgica.
- E)Fratura do enforcado tipo III.
Errada: a fratura do enforcado tipo III costuma ser mais instável que as outras formas, mas a questão pede a menor chance de consolidar sem cirurgia, o que não é o caso clássico aqui.
Gabarito: A
Quando você pensa em fratura cervical, a pergunta-chave não é só "onde quebrou", mas também se essa fratura costuma grudar sozinha ou se ela adora complicar a vida e ir para cirurgia. No caso do odontoide, a classificação de Anderson e D'Alonzo ajuda muito: tipo I é a ponta do odontoide, tipo II é a base do odontoide e tipo III pega a porção que se estende para o corpo de C2. A fratura do odontoide tipo II tem a menor chance de consolidação sem cirurgia porque ocorre exatamente na base do processo odontoide, uma região com pior vascularização e mais instável mecanicamente. Resultado: maior risco de pseudartrose e falha de consolidação com tratamento conservador, especialmente em adultos e idosos. Por isso, é clássica a indicação de considerar fixação cirúrgica quando há desvio, instabilidade ou fatores de risco para não consolidar. Já as fraturas tipo I costumam ser estáveis e raras, geralmente com melhor prognóstico. As tipo III, por alcançarem o corpo de C2, tendem a ter área maior de contato ósseo e melhor chance de consolidação com imobilização, se comparadas ao tipo II. Na prática de prova, o raciocínio é simples: quanto mais instável e pior a vascularização da fratura, menor a chance de consolidar sem operação. Aqui, o tipo II é o clássico "vilão" da história.