Homem, 68 anos de idade, com diagnóstico de cirrose por infecção pelo vírus da hepatite classificação Child-Pugh A e identificação de varizes esofágicas na triagem endoscópica inicial. Com relação às varizes esofágicas, é correto afirmar que:
- A)A profilaxia do sangramento varicoso nos casos de varizes de médio e grosso calibre com β-bloqueador não seletivo não modifica a taxa de episódios de rupturas varicosas.
Errada, porque o beta-bloqueador não seletivo reduz sim o risco de primeiro sangramento e de novos episódios hemorrágicos em varizes de médio e grande calibre.
- B)Pacientes com cirrose descompensada classificação Child-Pugh C apresentam menor risco de mortalidade relacionada a sangramentos.
Errada, pois a cirrose Child-Pugh C está associada a maior gravidade e maior mortalidade, não a menor risco.
- C)A trombose da veia porta é a causa mais comum de hipertensão portal intra-hepática.
Errada, porque a causa mais comum de hipertensão portal intra-hepática é a cirrose, e não a trombose da veia porta.
- D)As principais vantagens do tamponamento varicoso com sonda de Sengstaken-Blakemore são o controle imediato do sangramento em mais do 85% dos casos e a ampla disponibilidade deste dispositivo.
Certa, pois o tamponamento com sonda de Sengstaken-Blakemore pode controlar rapidamente o sangramento e é um recurso amplamente disponível como medida temporária.
- E)A derivação portossistêmica intra-hepática transjugular constitui a primeira opção de tratamento do sangramento visceral agudo.
Errada, porque o TIPS não é a primeira opção universal no sangramento agudo; ele costuma ser reservado para falha do tratamento inicial ou casos selecionados de alto risco.
Gabarito: D
Varizes esofágicas aparecem por causa da hipertensão portal, muito comum na cirrose. Na triagem endoscópica, o foco é evitar que a primeira hemorragia aconteça, porque sangramento de variz não é nada amigável: pode ser grave e rápido. Em pacientes com varizes de médio e grosso calibre, a profilaxia com beta-bloqueador não seletivo reduz risco de sangramento e é parte clássica do manejo, junto com outras estratégias conforme o caso. Se o paciente já estiver sangrando, a conduta é estabilizar, usar medicação vasoativa, antibiótico profilático e fazer endoscopia terapêutica o quanto antes. O tamponamento com sonda de Sengstaken-Blakemore entra como medida de resgate ou ponte temporária quando o controle inicial falha, porque ele comprime as varizes e costuma controlar o sangramento de forma imediata em grande parte dos casos, com disponibilidade relativamente ampla. É exatamente essa a ideia da alternativa D. A sonda de Sengstaken-Blakemore não é tratamento definitivo, mas é muito útil para ganhar tempo até a terapia endoscópica, TIPS ou cirurgia em situações selecionadas. Já a derivação portossistêmica intra-hepática transjugular (TIPS) é um excelente recurso em sangramento refratário ou de alto risco, mas não é a primeira escolha em todo sangramento agudo. Em outras palavras: primeiro se controla, depois se afina a estratégia. Então, o ponto central da questão é reconhecer que o tamponamento varicoso tem como grandes vantagens o controle rápido do sangramento e a ampla disponibilidade do dispositivo, o que torna a letra D correta.