A incidência de doenças inflamatórias intestinais (DII) está aumentando, com 25% das DII diagnosticadas em crianças com menos de 18 anos de idade. Sobre essas doenças, assinale a alternativa correta.
- A)A calprotectina fecal é utilizada como marcador de inflamação intestinal sendo utilizada para confirmar o diagnóstico de doença inflamatória intestinal.
Errada: a calprotectina fecal é um marcador de inflamação intestinal, mas não confirma sozinha o diagnóstico de DII.
- B)A investigação das doenças inflamatórias intestinais deve fazer parte da investigação de crianças com atraso no crescimento somente quando houver queixa de diarreia e dor abdominal.
Errada: atraso de crescimento em criança exige investigação de DII mesmo sem diarreia ou dor abdominal.
- C)Os escores clínicos para acompanhamento de doença de Crohn (PCDAI) e de colite ulcerativa (PUCAI) não apresentam relação com a gravidade da doença.
Errada: PCDAI e PUCAI se relacionam com a atividade e gravidade da doença, sendo úteis no seguimento.
- D)Os escores clínicos para acompanhamento de doença de Crohn (PCDAI) e de colite ulcerativa (PUCAI) são utilizados nos algoritmos de tratamento.
Certa: PCDAI e PUCAI são usados para classificar atividade e orientar decisões nos algoritmos de tratamento.
- E)Colangite esclerosante é uma manifestação extraintestinal comum na doença de Crohn.
Errada: colangite esclerosante primária é mais associada à retocolite ulcerativa do que à doença de Crohn.
Gabarito: D
As doenças inflamatórias intestinais (DII), principalmente doença de Crohn e retocolite ulcerativa, estão cada vez mais presentes na pediatria e podem aparecer não só com diarreia e dor abdominal, mas também com perda de peso, anemia, atraso de crescimento e até sintomas fora do intestino. Por isso, em criança com suspeita clínica, a investigação precisa ser mais ampla do que parece à primeira vista. A calprotectina fecal ajuda muito porque funciona como marcador de inflamação intestinal, mas ela não confirma sozinha o diagnóstico de DII. Ela é útil para triagem e acompanhamento, especialmente para separar inflamação orgânica de quadros funcionais, como síndrome do intestino irritável. O diagnóstico de DII continua dependendo da integração entre clínica, exames laboratoriais, endoscopia e histologia. Os escores PCDAI, para doença de Crohn, e PUCAI, para colite ulcerativa, são ferramentas clínicas importantes porque quantificam atividade da doença e ajudam a orientar conduta. Eles entram nos algoritmos de tratamento justamente para definir gravidade, monitorar resposta e apoiar decisões terapêuticas. Em concurso, quando aparecer escore pediátrico de DII, pense logo em acompanhamento e tomada de decisão, não em enfeite de protocolo. A alternativa correta é a D porque esses escores são usados na prática clínica e nos fluxos de tratamento das DII pediátricas. As demais opções erram ao superestimar a calprotectina como confirmação diagnóstica, restringir demais a investigação ou negar a utilidade dos escores.