Analise as assertivas a seguir a respeito do remifentanil: I. Possui em sua formulação a glicina que contraindica seu uso neuroaxial. II. Seu metabolismo independe da função renal ou hepática. III. Quando utilizado em altas doses, observa-se redução do limiar de dor após sua descontinuação. Quais estão corretas?
- A)Apenas I.
Esta alternativa afirma apenas que o remifentanil contém glicina na formulação, o que o torna inadequado para uso neuroaxial, como intratecal ou epidural, pela apresentação comercial e pelo risco/ausência de segurança para essa via. Esse ponto procede no conteúdo farmacológico. O problema é que a opção restringe a resposta a um único item, quando o remifentanil também tem metabolismo independente de rim e fígado e pode causar hiperalgesia após doses altas.
- B)Apenas II.
Aqui se sustenta que o remifentanil é eliminado por um metabolismo que não depende da função renal ou hepática. Isso está correto porque ele sofre hidrólise rápida por esterases inespecíficas no plasma e nos tecidos, gerando metabólito inativo, o que explica sua curta meia-vida contexto-sensível. A falha está em dizer que só essa afirmação estaria correta, já que a formulação com glicina e a redução do limiar doloroso após altas doses também são características verdadeiras do fármaco.
- C)Apenas III.
A alternativa descreve o fenômeno de hiperalgesia ou redução do limiar de dor após a suspensão do remifentanil, sobretudo quando ele foi usado em doses altas ou em infusão prolongada. Esse efeito é compatível com tolerância aguda e sensibilização nociceptiva observadas na prática anestésica, especialmente no pós-operatório imediato. Ela fica incompleta porque as outras duas assertivas também correspondem a propriedades conhecidas do remifentanil.
- D)Apenas I e II.
Esta opção reúne a informação de que o remifentanil contém glicina na formulação, o que afasta seu uso neuroaxial, e de que seu metabolismo é rápido e independente da função renal ou hepática. Os dois pontos estão corretos, porque o fármaco é hidrolisado por esterases e a apresentação injetável não é apropriada para via intratecal ou epidural. Mesmo assim, a alternativa não fecha o conjunto, pois a hiperalgesia com redução do limiar doloroso após altas doses também é verdadeira.
- E)I, II e III.
Esta é a opção correta porque reúne as três características do remifentanil cobradas no enunciado. A formulação com glicina contraindica o uso neuroaxial, o metabolismo ocorre por esterases independentes de rins e fígado, e o uso em altas doses pode ser seguido de hiperalgesia ou redução do limiar de dor após a suspensão. Assim, I, II e III estão compatíveis com a farmacologia do fármaco.
Gabarito: E
O remifentanil é um opioide muito usado quando se quer efeito rápido e controle fino da analgesia. A grande vantagem dele é justamente essa: ele começa e termina rápido, porque não depende de “filtro” renal ou hepático para ser eliminado. Em vez disso, é metabolizado por esterases inespecíficas no sangue e nos tecidos, o que o torna bem previsível mesmo em pacientes com disfunção de fígado ou rim. A assertiva I está correta porque a formulação do remifentanil contém glicina, e isso contraindica o uso por via neuroaxial, como intratecal ou epidural, pelo risco de neurotoxicidade. Aqui a banca costuma cobrar o detalhe de prova: não é um remédio para “subir na coluna”. A assertiva II também está correta pelo motivo clássico de farmacologia: seu metabolismo independe da função renal ou hepática, diferentemente de vários outros opioides. Por isso ele é tão útil em anestesia, especialmente em situações em que se quer ajuste rápido e recuperação previsível. A assertiva III igualmente está correta. Em doses altas e com uso prolongado, o remifentanil pode causar hiperalgesia induzida por opioide, ou seja, após a suspensão o paciente pode ficar mais sensível à dor. Em outras palavras: o remédio vai embora rápido, mas o organismo às vezes “reclama” com dor aumentada. Por isso o gabarito é E, pois as três afirmações estão certas.