No campo relativo às doenças psiquiátricas e à saúde mental, analise as seguintes assertivas sobre cada substância, seus respectivos sintomas de intoxicação aguda e seu manejo: I. Álcool: fala pastosa, euforia, alterações comportamentais, reflexos diminuídos, alteração de consciência, náuseas e vômitos. O manejo inclui a reidratação para pacientes desidratados; correção da glicemia, se necessário, e concomitante à administração de tiamina, caso haja evidência de encefalopatia de Wernicke. II. Cocaína: euforia, disforia, inibição adrenérgica generalizada, labilidade emocional, hipotensão postural e ataques de pânico. A Naloxona é o agente preferencial para o manejo, deve ser administrada para reversão da intoxicação aguda, pois atua por cerca de 40 minutos, tempo equivalente à meia-vida da cocaína. III. Benzodiazepínicos: fala arrastada, depressão respiratória, sonolência, prejuízos na cognição e nistagmo. O manejo com haloperidol deve ser utilizado em quadros graves com depressão do sistema nervoso central ou respiratória. Quais estão corretas?
- A)Apenas I.
Correta, porque a descrição do álcool e o manejo com suporte, glicemia e tiamina em suspeita de Wernicke estão adequados.
- B)Apenas III.
Errada, porque a descrição dos benzodiazepínicos até lembra a intoxicação, mas o tratamento com haloperidol está incorreto.
- C)Apenas I e II.
Errada, porque a cocaína foi descrita com sinais de depressão, quando o esperado é um quadro estimulante; além disso, a naloxona não é o manejo.
- D)Apenas II e III.
Errada, porque a parte da cocaína está incorreta e a conduta para benzodiazepínicos também está errada.
- E)I, II e III.
Errada, porque as assertivas II e III contêm informações trocadas sobre sintomas e manejo das intoxicações.
Gabarito: A
A intoxicação aguda por substâncias costuma cobrar duas coisas: reconhecer o quadro clínico e saber o manejo inicial. No álcool, é comum ver fala pastosa, euforia, alteração de comportamento, reflexos reduzidos, náuseas, vômitos e rebaixamento do nível de consciência. O tratamento é basicamente de suporte: hidratação se houver desidratação, controle de glicemia quando necessário e tiamina antes ou junto da glicose se houver suspeita de encefalopatia de Wernicke. Já a cocaína faz o oposto do que a assertiva descreveu: ela é estimulante, levando a agitação, euforia, hipertensão, taquicardia, midríase, ansiedade e até paranoia. Naloxona não é o antídoto da cocaína, porque ela age em intoxicação por opioides. Na cocaína, o manejo costuma ser sedação com benzodiazepínicos, controle de temperatura e suporte hemodinâmico conforme o caso. Nos benzodiazepínicos, o quadro clássico é sonolência, fala arrastada, ataxia, nistagmo e, em casos mais graves, depressão respiratória. O tratamento inicial é suporte clínico, com proteção de via aérea se necessário. Flumazenil é o antagonista específico em situações selecionadas, mas exige cautela. Haloperidol não é tratamento da intoxicação por benzodiazepínicos e não reverte depressão do SNC. Por isso, só a assertiva I está correta. A questão explora um ponto bem comum em prova: misturar os sinais de intoxicação de diferentes drogas e trocar o antídoto ou a conduta de uma pela outra. Se você identificar o efeito típico de cada substância, a questão fica bem mais tranquila.