Paciente de 56 anos, hipertenso e diabético, faz uso de aspirina diariamente como prevenção primária cardiovascular. Será submetido a uma laminectomia cervical para descompressão discal. Assinale a alternativa que apresenta a conduta correta.
- A)Interromper a aspirina 7 dias antes da cirurgia.
Certa, porque a aspirina deve ser suspensa cerca de 7 dias antes de cirurgia com maior risco hemorrágico quando usada apenas em prevenção primária.
- B)Realizar o procedimento na vigência de terapia antiplaquetária.
Errada, porque operar sob efeito de aspirina aumenta o risco de sangramento, o que não é a conduta usual em laminectomia cervical eletiva.
- C)Solicitar avaliação cardiológica.
Errada, porque a pergunta já traz uma situação comum de manejo perioperatório e não há, por si só, indicação obrigatória de avaliação cardiológica.
- D)Suspender a aspirina e iniciar heparina de baixo peso molecular profilática.
Errada, porque heparina de baixo peso molecular não substitui o efeito antiagregante da aspirina e não é ponte indicada para prevenção primária.
- E)Interromper a aspirina 2 dias antes da cirurgia.
Errada, porque 2 dias é tempo insuficiente para reversão adequada da inibição plaquetária causada pela aspirina.
Gabarito: A
Em cirurgia com risco de sangramento importante, a aspirina usada apenas para prevenção primária costuma ser suspensa antes do procedimento. Isso acontece porque, nesses casos, o ganho cardiovascular de manter o antiagregante é baixo, enquanto o risco de hemorragia cirúrgica pode pesar bastante. Em laminectomia cervical, esse cuidado é ainda mais relevante, já que um sangramento no local pode trazer complicações neurológicas sérias. A lógica aqui é simples: se a aspirina não está sendo usada por prevenção secundária, stent coronariano ou evento cardiovascular prévio, em geral ela pode e deve ser interrompida antes da cirurgia. O intervalo clássico é de cerca de 7 dias, tempo suficiente para recuperar a função plaquetária e reduzir o risco de sangramento intra e pós-operatório.