Analise as assertivas abaixo em relação ao uso de válvula fonatória em pacientes criticamente doentes: I. Não deve ser utilizada em pacientes traqueostomizados que apresentem grande volume de secreção respiratória. II. Deve ser usada em pacientes traqueostomizados sempre com o balonete da cânula de traqueostomia insuflado. III. Pode ser utilizada em cânulas de traqueostomia com ou sem endocânula. IV. Não pode ser utilizada em cânulas metálicas de traqueostomia. Quais estão INCORRETAS?
- A)Apenas II.
A alternativa diz que somente a assertiva II estaria incorreta. Isso não se sustenta porque a II realmente é falsa, já que a válvula fonatória não deve ser usada com o balonete insuflado, mas a IV também traz uma restrição absoluta indevida sobre as cânulas metálicas. Em técnica de via aérea, a compatibilidade depende do modelo da cânula e do adaptador, não de uma proibição universal.
- B)Apenas IV.
Aqui se afirma que apenas a assertiva IV estaria incorreta. O problema é que a II também está errada, porque a válvula fonatória é unidirecional e exige o balonete desinsuflado para permitir a expiração pelas vias aéreas superiores; com o cuff inflado, o fluxo expiratório fica bloqueado. A IV é imprecisa por ser absoluta demais, mas ela não é a única falha do conjunto.
- C)Apenas I e III.
Esta opção sustenta que somente as assertivas I e III estariam incorretas. Na prática, ocorre o contrário: a I faz sentido como cautela clínica, porque secreção abundante dificulta a passagem do ar e aumenta risco de obstrução, e a III também está de acordo com a compatibilidade mecânica da válvula com cânulas com ou sem endocânula. As incorreções estão nas assertivas II e IV.
- D)Apenas II e IV.
A alternativa reúne exatamente as assertivas problemáticas do enunciado, que são a II e a IV. A II erra porque a válvula fonatória não funciona com o balonete insuflado, já que a expiração precisa ocorrer pela laringe; a IV erra por transformar em proibição absoluta uma limitação que depende do tipo de cânula metálica e da possibilidade de adaptação. Por isso, este é o gabarito.
- E)I, II, III e IV.
Esta alternativa diz que todas as assertivas estariam incorretas. Isso não corresponde ao conteúdo técnico, porque a I é uma precaução válida em pacientes com grande volume de secreção respiratória e a III é aceitável, já que a presença de endocânula não impede, por si só, o uso da válvula. As falhas reais estão concentradas na II e na IV.
Gabarito: D
A válvula fonatória, como a de fala, serve para desviar o ar expirado para a via aérea superior, permitindo a fonação em pacientes traqueostomizados. Mas ela só funciona bem quando o ar consegue subir pela laringe e sair pelo nariz e pela boca, então o paciente precisa estar com a cânula desobstruída e com secreções controladas. Se houver muito acúmulo de secreção, a válvula pode aumentar desconforto e piorar a ventilação, por isso não é uma boa escolha nesse cenário. O ponto mais importante é este: a válvula fonatória é usada com o balonete da traqueostomia desinsuflado, não insuflado. Se o cuff fica cheio, o ar não passa para as vias aéreas superiores e a fala não acontece. Então a assertiva II está errada justamente por inverter essa lógica básica, que costuma cair muito em prova. A assertiva III está correta porque a válvula pode ser adaptada a cânulas de traqueostomia com ou sem endocânula, desde que a via esteja adequada para a passagem do ar. Já a IV está errada, porque não existe proibição absoluta de uso em cânulas metálicas como regra geral da técnica; a compatibilidade depende do modelo e do sistema de conexão, e a prova costuma cobrar essa ideia de forma mais rígida do que a prática clínica real. Assim, o gabarito D está correto porque as incorretas são as assertivas II e IV.