Mulher de 60 anos apresenta, há 1 ano, desequilíbrio com quedas frequentes associado à retenção urinária, com necessidade de cateterização vesical e síncopes recorrentes. Ao realizar o exame, apresenta bradicinesia, rigidez plástica, dismetria e disdiadococinesia bilaterais. Quando está deitada, apresenta pressão arterial (PA) 120 x 80 mmHg e, em pé, após 3 minutos, apresenta PA 80 x 50 mmHg. Diante desse quadro, o médico deve diagnosticar a paciente com
- A)atrofia de múltiplos sistemas.
Correta, porque a associação de parkinsonismo, sinais cerebelares e disfunção autonômica grave é típica de atrofia de múltiplos sistemas.
- B)doença de Parkinson idiopática.
Errada, pois a doença de Parkinson idiopática não costuma cursar com sinais cerebelares e disautonomia tão intensa e precoce.
- C)doença por corpúsculos de Lewy.
Errada, porque a doença por corpúsculos de Lewy é marcada principalmente por demência, alucinações visuais e flutuação cognitiva.
- D)Paralisia supranuclear progressiva.
Errada, já que a paralisia supranuclear progressiva sugere quedas precoces e alteração do olhar vertical, especialmente para baixo.
Gabarito: A
O quadro descrito aponta para atrofia de múltiplos sistemas, uma doença neurodegenerativa que costuma misturar sinais parkinsonianos, cerebelares e autonômicos no mesmo paciente. Quando voce vê quedas frequentes, retenção urinária, síncopes e hipotensão ortostática importante, acende o alerta para disautonomia, que é uma pista muito forte desse diagnóstico. Somando a isso a bradicinesia e a rigidez plástica, temos o componente parkinsoniano; já a dismetria e a disdiadococinesia bilaterais mostram comprometimento cerebelar. Essa combinação de sistemas afetados é bem mais típica de atrofia de múltiplos sistemas do que de doença de Parkinson isolada. Na doença de Parkinson idiopática, o padrão clássico é tremor de repouso, bradicinesia e rigidez, geralmente com assimetria no início, mas sem disautonomia tão marcada logo no começo e sem sinais cerebelares relevantes. Na doença por corpúsculos de Lewy, o destaque costuma ser demência precoce associada a alucinações visuais e flutuação cognitiva, e não esse conjunto de sinais autonômicos e cerebelares. Já a paralisia supranuclear progressiva chama atenção por quedas precoces e alteração dos movimentos oculares, especialmente dificuldade de olhar para baixo, o que não foi o centro do caso. Em prova, pense assim: parkinsonismo + ataxia cerebelar + disautonomia = atrofia de múltiplos sistemas até prova em contrário. A ortostatismo importante da paciente, com queda expressiva da pressão ao ficar em pé, é quase um grito da disfunção autonômica. Ou seja, o cérebro está mandando sinais de vários setores ao mesmo tempo, e isso orienta o diagnóstico de forma bem elegante.