Em relação ao rastreamento da neoplasia de colo uterino, considere as afirmativas abaixo: I. Início precoce da atividade sexual, uso prolongado de contraceptivos orais, tabagismo e imunossupressão são considerados fatores de risco. II. A coleta de exame citopatológico deve ser sempre realizada anualmente em todas as mulheres que iniciaram a atividade sexual. III. Nos casos de mulheres grávidas, a coleta do exame citopatológico pode ser realizada recomendando-se, apenas, a utilização da espátula de Ayre. São CORRETAS as afirmativas:
- A)I, II e III.
A alternativa reúne as três assertivas: diz que início precoce da atividade sexual, uso prolongado de anticoncepcionais orais, tabagismo e imunossupressão são fatores de risco; que o citopatológico deve ser feito anualmente em toda mulher sexualmente ativa; e que, na gestante, a coleta pode ser realizada apenas com espátula de Ayre. As duas primeiras ideias corretas são a I e a III, mas a II contraria a rotina do rastreamento no SUS, que não é anual para sempre e passa a ser trienal após dois exames normais. Como inclui uma regra errada de periodicidade, a opção não se sustenta.
- B)I e II.
A alternativa afirma que os fatores de risco citados na assertiva I existem e que o exame citopatológico deve ser anual para todas as mulheres que iniciaram a vida sexual. A primeira parte está alinhada ao conhecimento técnico, pois início sexual precoce, tabagismo, imunossupressão e uso prolongado de anticoncepcionais orais favorecem a persistência do HPV e o risco de câncer do colo uterino. Já a segunda parte erra o protocolo de rastreamento, porque a citologia é anual apenas nos dois primeiros exames e, se ambos forem normais, o intervalo passa a ser de 3 anos, além de haver faixa etária específica de rastreamento.
- C)I e III.
A alternativa reúne a ideia de que há fatores de risco clássicos para neoplasia de colo uterino e de que a gestante pode fazer o exame citopatológico com coleta restrita à espátula de Ayre. Isso corresponde ao conteúdo das diretrizes de rastreamento: a atividade sexual precoce, o tabagismo, a imunossupressão e o uso prolongado de contraceptivos orais aumentam o risco, e a gravidez não impede a coleta, apenas orienta evitar a instrumentação endocervical desnecessária. Por isso, esta é a opção correta.
- D)II e III.
A alternativa sustenta que o exame seria anual para todas as mulheres sexualmente ativas e que, na gestação, a coleta com espátula de Ayre seria permitida. A segunda afirmação está de acordo com a possibilidade de rastreamento durante a gravidez, mas a primeira distorce a periodicidade do exame, que não é anual de forma permanente e sim anual apenas no início do seguimento, com posterior intervalo de 3 anos se os resultados forem normais. Como se apoia em uma regra errada de rastreamento, a alternativa não pode ser aceita.
Gabarito: C
O rastreamento do câncer do colo do útero não é feito de forma “automática e eterna” em todas as mulheres que já iniciaram a vida sexual. No SUS, a orientação clássica do INCA e do Ministério da Saúde é começar aos 25 anos para mulheres que já tiveram atividade sexual, fazer exame anual até obter dois resultados normais seguidos e, depois, passar para intervalo de 3 anos. Isso já derruba a ideia de coleta anual para sempre. Os fatores de risco citados na afirmativa I fazem sentido: início precoce da atividade sexual, tabagismo, uso prolongado de contraceptivos orais e imunossupressão aumentam o risco de lesão cervical e câncer. Então, essa parte está correta. É o típico cenário em que a banca mistura fator de risco com regra de rastreamento, só para ver se você escorrega. A afirmativa II está errada porque o exame citopatológico não deve ser sempre anual em todas as mulheres sexualmente ativas. A periodicidade depende do protocolo: após dois exames anuais normais, o intervalo passa a ser trienal. Ou seja, o rastreio existe, mas não precisa virar casamento de toda ano. Já a afirmativa III está correta: na gestante, o exame pode ser feito e, em regra, a coleta pode ser realizada com espátula de Ayre, evitando a coleta endocervical com escova quando houver cautela técnica. Por isso, o gabarito é C, reunindo I e III como verdadeiras. Esse é um tema bastante alinhado às diretrizes do INCA e do Ministério da Saúde para rastreamento do câncer do colo do útero.