Uma paciente de 43 anos internada no CTI inicia um quadro de arritmia cardíaca com dor torácica. No exame físico apresenta pressão arterial de 70/50 mmHg, frequência respiratória de 30 incursões por minuto e saturação de oxigênio a 98% com 8L de oxigênio. O monitor cardíaco revela uma taquicardia irregular de complexo estreito com resposta ventricular em 160 a 170 batimentos por minuto. A conduta seguinte mais apropriada é
- A)bolus intravenoso de 5 mg de verapamil.
Errada: verapamil pode agravar a hipotensão e não é a conduta inicial em taquiarritmia instável.
- B)massagem no seio carotídeo.
Errada: massagem no seio carotídeo é manobra vagal para casos estáveis e não resolve um quadro com choque/hipotensão.
- C)300 mg de amiodarona intravenosa.
Errada: amiodarona pode ser usada em algumas arritmias, mas aqui a prioridade é cardioversão pela instabilidade hemodinâmica.
- D)bolus de adenosina de 6 mg IV.
Errada: adenosina é indicada sobretudo em taquicardia supraventricular regular, não em ritmo irregular e instável.
- E)cardioversão elétrica sincronizada sob sedação.
Certa: taquiarritmia com hipotensão e dor torácica exige cardioversão elétrica sincronizada, com sedação se possível.
Gabarito: E
Aqui o ponto principal não é decorar nome de remédio, e sim reconhecer instabilidade hemodinâmica. A paciente tem taquicardia de complexo estreito, ritmo irregular, dor torácica e hipotensão importante (70/50 mmHg). Isso já coloca o quadro como emergência, porque o coração está acelerado, mas a perfusão está caindo. Nessa situação, a conduta não é tentar “acalmar” o ritmo com drogas que demoram ou podem piorar a pressão. Em taquiarritmia instável, a regra prática é simples: se a paciente está hipotensa, com dor torácica, edema agudo, alteração do nível de consciência ou choque, a primeira escolha é cardioversão elétrica sincronizada. O sincronismo evita o disparo no período vulnerável da onda T e reduz o risco de induzir fibrilação ventricular. A sedação deve ser feita se houver tempo e condição clínica para isso, sem atrasar o choque. As drogas citadas nas outras alternativas fazem mais sentido em cenários estáveis ou em arritmias específicas. Adenosina é para taquicardia regular de complexo estreito, principalmente TSV por reentrada. Verapamil pode piorar hipotensão e não é a jogada inicial aqui. Massagem no seio carotídeo é manobra vagal para arritmias supraventriculares estáveis e não serve para paciente instável no CTI. Então, com taquicardia e sinais de má perfusão, o raciocínio é: não perder tempo com tentativas “didáticas”; faça cardioversão sincronizada. É o tipo de conduta que salva tempo e, muitas vezes, salva o paciente.