Paciente de 62 anos, com histórico de hipertensão arterial e dislipidemia, apresenta perda visual súbita e indolor no olho direito ao acordar. No exame de fundo de olho, observa-se retina esbranquiçada com uma mácula central avermelhada, conhecida como "mácula em cereja". O exame de ultrassonografia ocular não revela descolamento de retina, e a ultrassonografia carotídea mostra placas ateroscleróticas significativas. A opção abaixo que melhor explica o provável diagnóstico e a conduta inicial é:
- A)retinopatia diabética proliferativa avançada, necessitando de vitrectomia de emergência;
Errada, porque retinopatia diabética proliferativa costuma causar hemorragias, neovasos e complicações vítreas, não esse quadro súbito com mácula em cereja.
- B)oclusão da artéria central da retina por embolia, requerendo avaliação vascular urgente;
Certa, pois o quadro é típico de oclusão da artéria central da retina por embolia, exigindo avaliação vascular urgente pela associação com aterosclerose carotídea.
- C)oclusão da veia central da retina, necessitando de terapia trombolítica imediata;
Errada, porque a oclusão da veia central da retina costuma cursar com hemorragias difusas em "blood and thunder", e não com retina esbranquiçada e mácula em cereja.
- D)neuropatia óptica isquêmica não arterítica, requerendo o uso de corticosteroides sistêmicos;
Errada, porque a neuropatia óptica isquêmica não arterítica causa perda visual, mas o fundo de olho e a conduta não são de oclusão arterial retiniana, nem corticoide é a regra aqui.
- E)descolamento de retina exsudativo, necessitando de cirurgia reparadora.
Errada, porque descolamento de retina exsudativo não explica a retina pálida com mácula em cereja, e a ultrassonografia ocular já afastou descolamento.
Gabarito: B
A perda visual súbita, indolor e em um olho só, especialmente ao acordar, acende uma luz amarela para oclusão vascular da retina. Quando o fundo de olho mostra retina esbranquiçada com a famosa "mácula em cereja", o quadro é bem compatível com oclusão da artéria central da retina. Isso acontece porque a retina fica isquêmica e pálida, enquanto a mácula, mais fina e com maior visualização da coróide subjacente, permanece avermelhada no centro. É quase uma assinatura do problema. No caso da oclusão arterial, a causa mais comum é embolia, frequentemente vindo de placas ateroscleróticas de carótida ou de fonte cardíaca. Por isso, a conduta inicial não é tratar como se fosse descolamento de retina ou algo inflamatorio sem evidência: o mais importante é reconhecer que há risco vascular sistêmico e pedir avaliação urgente. O olho está mandando um aviso de que a circulação pode estar ruim em outros lugares também. A ultrassonografia ocular sem descolamento de retina ajuda a afastar essa hipótese, e a presença de placas carotídeas significativas reforça a origem embólica. Na prática, o paciente precisa de encaminhamento imediato para investigação vascular e manejo de fator de risco, com abordagem oftalmológica e clínica de urgência. Em prova, pense: perda súbita indolor + retina pálida + mácula em cereja = oclusão da artéria central da retina. As outras alternativas tentam confundir com doenças retinianas e ópticas, mas o padrão do exame de fundo de olho e a história vascular apontam claramente para evento isquêmico arterial. É um clássico de FGV: ela adora juntar semiologia ocular com doença sistêmica para ver se você percebe o perigo por trás do olho.