Paciente de 48 anos, sem comorbidades e com exame clínico das mamas sem anormalidades, realiza mamografia para rastreio. Na mamografia é encontrada uma grande área de distorção arquitetural. O laudo conclui com a classificação BIRADS 4. Dentre as condutas abaixo, a mais adequada para esse caso é:
- A)punção aspirativa por agulha fina;
Errada, porque a punção aspirativa por agulha fina avalia pior a distorção arquitetural e não é a melhor técnica para lesão mamográfica suspeita.
- B)core biopsy com marcação por mamografia;
Certa, porque a lesão foi detectada na mamografia e o BI-RADS 4 exige biópsia, preferencialmente com core biopsy guiada por mamografia.
- C)biópsia cirúrgica com marcação por mamografia;
Errada, porque a biópsia cirúrgica não é a primeira escolha quando a lesão pode ser amostrada por método percutâneo guiado por imagem.
- D)mamotomia guiada por ultrassonografia;
Errada, porque a mamotomia guiada por ultrassonografia só faz sentido se a lesão for identificada ao ultrassom, o que não foi informado aqui.
- E)quadrantectomia no local da lesão.
Errada, porque quadrantectomia é tratamento cirúrgico e não etapa inicial para confirmar o diagnóstico de uma lesão BI-RADS 4.
Gabarito: B
A distorção arquitetural na mamografia chama atenção porque pode representar câncer mesmo quando o exame clínico da mama é normal. Ela é uma imagem em que a arquitetura habitual do tecido parece “puxada” ou deformada, sem formar necessariamente um nódulo redondo. Quando o laudo vem como BI-RADS 4, a mensagem é direta: lesão suspeita, com indicação de biópsia para esclarecimento histológico. Nesses casos, o ponto principal é escolher o método de biópsia conforme a forma de visualização da lesão. Se a alteração foi vista na mamografia, a amostragem deve ser guiada pela própria mamografia, e não por ultrassom, salvo se houver correlação sonográfica. Por isso, a conduta mais adequada aqui é a core biopsy com marcação por mamografia, que obtém cilindros de tecido e costuma ser o melhor passo diagnóstico para uma lesão suspeita assim. A punção aspirativa por agulha fina não é a melhor escolha porque coleta células isoladas, o que é menos útil para avaliar distorção arquitetural e invasão. Já a biópsia cirúrgica fica para situações em que a biópsia percutânea não é possível, inconclusiva ou quando há outra indicação específica. E quadrantectomia não é conduta inicial de diagnóstico; primeiro vem a confirmação anatomopatológica. Na prática de prova, guarde o raciocínio: BI-RADS 4 não é para observar nem tranquilizar, é para biopsiar. O método ideal depende do alvo da imagem, e uma lesão mamográfica sem achado no ultrassom costuma pedir biópsia percutânea guiada por mamografia, geralmente core biopsy ou mamotomia conforme o caso.