Paciente de 55 anos refere que a partir dos 50 anos vem apresentando baixa acuidade visual, maior no seu olho esquerdo, lentamente progressiva e que existia a indicação para um transplante de córnea. Ao exame foram evidenciados: um astigmatismo irregular contraa-regra e afinamento corneano periférico não inflamatório e não ulcerativo, separado do limbo corneoescleral, sendo maior no olho esquerdo. Na topografia de córnea evidenciou-se um aumento da curvatura na periferia inferior e um aplanamento do eixo vertical. A partir desse relato, o diagnóstico específico mais provável é
- A)ceratoglobo.
Errada: o ceratoglobo causa afinamento difuso e globoso da córnea, geralmente mais central e com formato de globo, e não o afinamento periférico em faixa descrito no caso.
- B)degeneração marginal de Terrien.
Errada: a degeneração marginal de Terrien também é periférica, mas costuma cursar com vascularização e caráter mais inflamatório, diferindo do padrão não inflamatório e da topografia típica do enunciado.
- C)úlcera de Mooren.
Errada: a úlcera de Mooren é uma ceratite ulcerativa dolorosa, com lesão inflamatória da margem corneana, e não um afinamento não ulcerativo e lentamente progressivo.
- D)ceratocone.
Errada: o ceratocone é uma ectasia corneana, mas tipicamente central ou paracentral, com protrusão em cone, e não com afinamento periférico inferior em faixa.
- E)degeneração marginal pelúcida.
Certa: a degeneração marginal pelúcida causa afinamento corneano periférico inferior, astigmatismo irregular contra a regra e topografia com aumento da curvatura inferior e aplanamento vertical.
Gabarito: E
A questão descreve um quadro de afinamento corneano periférico, não inflamatório e não ulcerativo, associado a astigmatismo irregular contra a regra e piora lenta da visão. Esse conjunto é bem clássico de degeneração marginal pelúcida, uma ectasia corneana periférica que costuma atingir a porção inferior da córnea e deformar a curvatura, gerando topo em formato característico, com aumento de curvatura na periferia inferior e aplanamento do eixo vertical. Na prática, a córnea fica mais fina em uma faixa periférica inferior, mas a lesão não é uma inflamação nem uma úlcera, então não confunda com doenças “rasgando a córnea” ou com quadros dolorosos. O nome já ajuda: “pelúcida” porque a área afinada fica clara, sem infiltrado; “marginal” porque acomete a periferia. O efeito óptico disso é importante: a irregularidade corneana produz astigmatismo irregular, geralmente contra a regra, e a visão vai piorando aos poucos. Em casos avançados, o paciente pode mesmo acabar com indicação de transplante de córnea, mas isso não define o diagnóstico, só mostra a gravidade. Por que o gabarito é a letra E? Porque a topografia descrita é muito sugestiva: aumento de curvatura na periferia inferior e aplanamento do eixo vertical formam o padrão típico da degeneração marginal pelúcida. Diferente do ceratocone, que costuma ser mais central ou paracentral e com cone inferior, aqui o afinamento é periférico e em faixa, com respeitamento da região junto ao limbo. Resumo de prova: se vier paciente com astigmatismo irregular, afinamento periférico inferior, quadro bilateral assimétrico e topografia com “kissing” da periferia inferior, pense em degeneração marginal pelúcida. A FGV gosta bastante de cobrar a diferença entre as ectasias corneanas, então vale decorar o desenho do afinamento, porque a córnea fala antes do olho pedir socorro.