Em relação à uveíte associada à artrite idiopática juvenil, é correto afirmar que
- A)apresenta dor, fotofobia, hiperemia pericerática, sinéquias posteriores e o surgimento de ceratopatia em faixa, precocemente no curso da doença, a qual é mais comum em meninas.
Errada, porque a uveíte da artrite idiopática juvenil costuma ser pouco sintomática, e a ceratopatia em faixa é complicação de evolução crônica, não um achado precoce típico.
- B)se manifesta com maior frequência quando a artrite é do tipo poliarticular, quando está associada à entesite e os anticorpos antinucleares (ANA) são negativos enquanto o fator reumatóide é positivo.
Errada, porque a associação clássica é com forma oligoarticular, ANA positivo e fator reumatoide negativo, não com poliarticular, entesite e ANA negativo.
- C)não apresenta sintomas típicos até que a condição esteja bastante avançada, sendo o uso de medicamento imunobiológico uma boa opção terapêutica.
Certa, pois essa uveíte frequentemente é assintomática até fases avançadas e o uso de imunobiológicos pode ser uma opção terapêutica nos casos indicados.
- D)apresenta lesão retiniana e geralmente granulomatosa, com precipitados ceráticos do tipo mutton fat, sinéquias posteriores, células e flare no humor aquoso.
Errada, porque precipitados em mutton fat e quadro granulomatoso apontam para outras causas de uveíte, não para a forma típica associada à artrite idiopática juvenil.
- E)é unilateral, mais comum em meninas e as lesões retinianas são ovais ou circulares, variando em tamanho, desde pequenas e puntiformes até formas necrosantes ou granulomatosas.
Errada, porque descreve um padrão de lesão retiniana infecciosa/inflamatória que não corresponde à uveíte da artrite idiopática juvenil, que é classicamente anterior e crônica.
Gabarito: C
A uveíte associada à artrite idiopática juvenil costuma ser uma uveíte anterior crônica, de início insidioso e, muitas vezes, silenciosa. Esse é o ponto que derruba muita gente: a criança pode estar com o olho inflamado e sem reclamar quase nada, então o diagnóstico depende muito de rastreio oftalmológico regular. O perfil mais clássico é de menina, com artrite oligoarticular, fator antinuclear (ANA) positivo e fator reumatoide geralmente negativo. Por isso, a doença ocular pode aparecer cedo e passar despercebida, evoluindo com complicações como sinéquias posteriores, catarata e glaucoma se não for detectada a tempo. O gabarito é a letra C porque descreve justamente esse comportamento traiçoeiro: ausência de sintomas típicos até fase avançada. E faz sentido a menção ao medicamento imunobiológico, já que em casos refratários ou mais graves, especialmente com inflamação persistente, os agentes biológicos podem ser uma boa opção terapêutica, em conjunto com o acompanhamento especializado. Em prova, pense assim: artrite idiopática juvenil e uveíte não costumam fazer alarde. O problema é que a inflamação pode ficar escondida, e quando aparece clinicamente, já deixou marca. Por isso o rastreio oftalmológico é peça-chave no manejo.