Paciente de 25 anos, sexo feminino, dá entrada no pronto-socorro trazida por familiares após apresentar convulsão em buffet infantil há 20 minutos. Trata-se de paciente primigesta de 34 semanas, com acompanhamento de pré-natal irregular, sem comorbidades conhecidas. Relato de consumo de salgadinhos, refrigerantes e doces há cerca de 40 minutos. Chega em pós-ictal. Ao exame clínico, sonolenta, hidratada, Glasgow 13, FC 120, PA 170x120, pupilas isofotorreagentes, sem outras alterações significativas. Exames laboratoriais em andamento, glicemia capilar = 250. A conduta imediata é
- A)fenitoína.
Errada, porque fenitoína não é a droga de escolha na eclâmpsia e não substitui o sulfato de magnésio.
- B)nitroprussiato.
Errada, porque o nitroprussiato pode ser usado em situações selecionadas de crise hipertensiva, mas não controla a convulsão e não é a prioridade imediata.
- C)sulfato de magnésio.
Certa, porque o sulfato de magnésio é o tratamento de primeira linha da eclâmpsia para controlar e prevenir novas crises convulsivas.
- D)insulina.
Errada, porque a hiperglicemia não é a explicação principal do quadro e insulina não é a conduta imediata diante de eclâmpsia.
- E)lavagem gástrica e carvão ativado.
Errada, porque não há suspeita de intoxicação ou ingestão recente de tóxico que indique lavagem gástrica ou carvão ativado.
Gabarito: C
A paciente é uma gestante de 34 semanas, com crise convulsiva, hipertensão importante e pós-ictal, o que aponta fortemente para eclâmpsia até prova em contrário. Na obstetrícia, convulsão em gestante hipertensa não é hora de ficar “caçando” causa rara: primeiro você trata como eclâmpsia e estabiliza a mãe. Isso vale mesmo que a glicemia esteja alta, porque hiperglicemia isolada não explica esse quadro todo de forma tão convincente. O tratamento imediato da eclâmpsia é o sulfato de magnésio, que é a droga de escolha para controlar e prevenir recorrência de convulsões. Ele reduz a irritabilidade neuromuscular e diminui o risco de novas crises e de complicações maternas e fetais. Depois da estabilização, entra o restante do manejo da hipertensão e a definição da via/tempo de interrupção da gestação, mas a urgência agora é cessar o quadro convulsivo. Fenitoína não é a primeira escolha em eclâmpsia. Nitroprussiato pode até baixar a pressão, mas não trata a convulsão e ainda tem risco de toxicidade, então não é a conduta inicial. Insulina seria considerada se estivéssemos diante de emergência hiperglicêmica, o que não é a leitura principal do caso. Lavagem gástrica e carvão ativado não têm utilidade aqui, porque não há história de intoxicação. Em provas da FGV, a palavra-chave costuma ser gestante hipertensa com convulsão: isso praticamente grita eclâmpsia. A pegadinha é misturar achados que distraem, como glicemia elevada e relato de alimentação antes do evento, para tentar empurrar você para outra linha diagnóstica.