Das seguintes condições ou recomendações, assinale a que é considerada a mais importante na abordagem da síndrome de dor crônica.
- A)As questões físicas e emocionais estão presentes na maioria dos pacientes, ambos requerem abordagem para um desfecho favorável.
Correta, porque reconhece que fatores físicos e emocionais costumam coexistir e devem ser tratados em conjunto na dor crônica.
- B)Deve-se enfatizar o tratamento as questões físicas das queixas do paciente.
Errada, porque reduz a abordagem ao componente físico e ignora a natureza multifatorial da síndrome dolorosa crônica.
- C)Não ser possível identificar a causa das queixas do paciente em mais de 25% dos casos.
Errada, porque a dificuldade de identificar causa não é o ponto central da abordagem e não define a prioridade terapêutica.
- D)Os aspectos psicológicos devem ser superados antes de se instituir qualquer tratamento para as questões físicas da patologia.
Errada, porque o cuidado psicológico não precisa ser "superado" antes de tratar a dor física; os dois aspectos podem e devem ser manejados em paralelo.
- E)Todas as queixas físicas devem ser meticulosamente investigadas antes de se instituir o tratamento.
Errada, porque investigar excessivamente todas as queixas antes de tratar pode atrasar a conduta e não reflete a abordagem global da dor crônica.
Gabarito: A
A síndrome de dor crônica quase nunca é uma história de um único capítulo. Em geral, ela mistura fatores físicos, emocionais, sociais e até comportamentais, como se o corpo e a mente estivessem falando ao mesmo tempo. Por isso, a abordagem mais importante é a visão biopsicossocial, com atenção simultânea às queixas físicas e aos aspectos emocionais do paciente. Na prática, isso significa que você não deve cair na armadilha de achar que basta procurar uma lesão anatômica ou, no extremo oposto, dizer que "é psicológico" e pronto. A dor crônica pode ter doença de base, sensibilização central, sofrimento emocional associado, distúrbios do sono e redução da funcionalidade. Tratar só uma ponta costuma deixar o problema pela metade. O gabarito é a letra A porque ela traduz exatamente essa ideia: na maioria dos pacientes, os componentes físicos e emocionais coexistem e ambos precisam ser abordados para haver melhor desfecho. Esse é o raciocínio clássico ensinado na doutrina de manejo da dor crônica e alinhado ao modelo biopsicossocial, usado em clínica médica e em diretrizes de dor. As demais alternativas trazem exageros ou erros de prioridade: não se trata de focar apenas no físico, nem de exigir explicação causal completa para começar a tratar, nem de adiar qualquer intervenção até "resolver" o psicológico. Em dor crônica, a conduta mais madura é integrar, não separar em caixas fechadas.