Gestante, sem histórico de doenças prévias à gestação, realiza exames laboratoriais de rotina com 18 semanas que evidenciam: • hematócrito: 34%; • plaquetas: 160.000 células/mm3 ; • leucócitos: 9500/mm3 ; • HbA1c: 6,8%. Diante desses achados, o diagnóstico mais provável é:
- A)infecção sistémica.
Errada, porque leucócitos de 9500/mm3 não caracterizam infecção sistêmica e, na gestação, esse valor pode ser fisiológico.
- B)síndrome HELLP.
Errada, porque a síndrome HELLP cursa com plaquetopenia e alterações hepáticas/hemólise, o que não aparece nesses exames.
- C)diabetes melito.
Certa, porque HbA1c de 6,8% está na faixa diagnóstica de diabetes melito.
- D)anemia grave.
Errada, porque hematócrito de 34% sugere apenas anemia leve ou até fisiológica da gestação, não anemia grave.
- E)doença hemolítica perinatal.
Errada, porque doença hemolítica perinatal é quadro fetal/neonatal relacionado à incompatibilidade sanguínea, não explica esse perfil laboratorial materno.
Gabarito: C
Na gestação, nem toda alteração laboratorial é “culpa da gravidez”. Alguns exames seguem os mesmos pontos de corte do adulto não gestante, e a HbA1c é um deles. Quando ela vem em 6,8%, isso já entra na faixa diagnóstica de diabetes melito, porque valores iguais ou acima de 6,5% indicam diabetes em critérios usuais. Na prática obstétrica, um resultado assim no meio da gestação sugere diabetes identificado na gravidez, muitas vezes chamado de diabetes mellitus manifesto na gestação ou diabetes pré-existente ainda não diagnosticado. O raciocínio é simples: hematócrito de 34% pode ser só a anemia fisiológica da gestação, plaquetas de 160.000 estão dentro do esperado, e leucócitos de 9500/mm3 não apontam infecção sistêmica. Por que não é anemia grave? Porque anemia grave costuma ter queda bem mais importante da hemoglobina/hematócrito, com impacto clínico maior, e esse hematócrito de 34% está longe disso. E por que não é HELLP? Porque a síndrome exige hemólise, enzimas hepáticas elevadas e plaquetopenia, e aqui as plaquetas estão preservadas. Então o achado que realmente muda o jogo é a HbA1c elevada. Em outras palavras: o exame não está “gritando placenta”, está gritando glicemia. Gabarito C.