A infecção pelo vírus da hepatite Delta (HDV) pode ser simultânea ou posterior à infecção pelo vírus da hepatite B (HBV). Em relação a infecção simultânea, assinale a afirmativa correta.
- A)Na maioria dos casos, o quadro clínico evolui sob a forma de uma hepatite aguda benigna.
Correta: na coinfecção HBV-HD V, o quadro costuma ser de hepatite aguda autolimitada, com evolução geralmente benigna.
- B)A produção mais intensa de partículas do vírus Delta é responsável pela frequente apresentação sob a forma de hepatite fulminante.
Errada: a gravidade maior e a hepatite fulminante são mais associadas à superinfecção ou a casos específicos, não à explicação dada.
- C)Na maioria dos casos – 95 %, a evolução é para as formas crônicas de hepatite.
Errada: a cronificação em 95% é incompatível com a coinfecção simultânea; esse padrão se aproxima mais da superinfecção pelo HDV.
- D)Somente a análise histopatológica permite a confirmação diagnóstica.
Errada: o diagnóstico não depende somente de histopatologia, pois sorologia e, quando necessário, testes moleculares também ajudam.
- E)Diferente da hepatite B não há risco de progressão para cirrose ou carcinoma hepatocelular.
Errada: a infecção pelo HDV pode sim evoluir para cirrose e aumentar o risco de carcinoma hepatocelular, especialmente nas formas crônicas.
Gabarito: A
O vírus da hepatite D (HDV) é um vírus “dependente” do HBV: ele só consegue infectar e se replicar na presença do antígeno de superfície da hepatite B (HBsAg). Por isso, quando a infecção pelo HDV acontece ao mesmo tempo que a do HBV, falamos em coinfecção. Nessa situação, o quadro costuma parecer uma hepatite aguda viral comum, geralmente autolimitada, e a maioria dos pacientes se recupera sem evoluir para cronicidade. O ponto central da questão é este: na coinfecção simultânea, o desfecho mais frequente é benigno, com resolução espontânea. Pode haver quadro agudo mais intenso do que na hepatite B isolada, mas isso não significa que, na maioria dos casos, haja evolução grave ou crônica. O risco de cronificação é bem menor na coinfecção do que na superinfecção pelo HDV em alguém já portador crônico de HBV. Na prática, a banca quer que você saiba diferenciar coinfecção de superinfecção. A coinfecção HBV + HDV tende a ser aguda e autolimitada; a superinfecção, essa sim, costuma ser mais agressiva e com maior chance de hepatite crônica, cirrose e descompensação. Ou seja: o HDV é aquele “parceiro exigente” que depende do HBV, mas o comportamento clínico muda bastante conforme o momento da infecção. Por isso, a alternativa A está correta: na maioria dos casos, a infecção simultânea evolui como hepatite aguda benigna. Esse é o entendimento clássico ensinado em hepatologia e cobrado de forma recorrente em provas.