Um residente do segundo ano lhe pede para liberar um caso urgente informando tratar-se de um carcinoma basocelular. Tratase de biópsia de massa indolor vista na cavidade oral, mas centrada na mandíbula. Ao exame microscópico, você observa grupamentos de células epiteliais que perifericamente apresentam morfologia colunar a cuboidal e núcleo hipercromático, dispostas em paliçada, com polaridade reversa e vacúolo subnuclear. A porção central dos grupamentos remete a retículo estrelado, com aparência mais frouxa e degeneração cística. Considerando os aspectos descritos, o seu diagnóstico foi
- A)carcinoma nasofaríngeo.
Errada: carcinoma nasofaríngeo é neoplasia epitelial da nasofaringe, sem relação com o padrão odontogênico descrito na lâmina.
- B)carcinoma de células escamosas pouco diferenciado.
Errada: carcinoma de células escamosas pouco diferenciado não forma ilhas com paliçada periférica e retículo estrelado central.
- C)ameloblastoma.
Certa: o padrão de células colunares/cuboidais em paliçada, polaridade reversa e centro tipo retículo estrelado é típico de ameloblastoma.
- D)carcinoma basocelular.
Errada: carcinoma basocelular é tumor cutâneo e pode ter paliçada periférica, mas não explica o contexto intraósseo mandibular e o padrão odontogênico clássico.
- E)tumor de Pindborg.
Errada: tumor de Pindborg, ou tumor odontogênico epitelial calcificante, costuma ter material amiloide e calcificações, achados não descritos aqui.
Gabarito: C
A descrição microscópica é praticamente um retrato falado de ameloblastoma: ilhas ou cordões de epitélio odontogênico com camada periférica de células colunares ou cuboidais em paliçada, com polaridade invertida dos núcleos, e centro frouxo lembrando o retículo estrelado. Esse tumor costuma surgir na mandíbula e pode aparecer como massa indolor, o que ajuda a confundir quem está com pressa. Ele é benigno, mas localmente agressivo, então não é daqueles diagnósticos para subestimar. O ponto-chave da questão é reconhecer a arquitetura histológica clássica. A periferia do ninho tumoral imita o órgão do esmalte, enquanto a porção central parece uma rede de células mais soltas, com degeneração cística em alguns casos. Isso é muito diferente de carcinoma basocelular, que é tumor cutâneo, e de carcinoma epidermoide, que teria queratinização e atipia escamosa mais marcantes. Em patologia oral, o ameloblastoma é um dos queridinhos de prova porque a banca adora trocar o nome do bicho pela aparência microscópica. Se você viu paliçada periférica, reversão de polaridade e retículo estrelado, já pode acender a luz amarela do odontogênico. Na prática, o diagnóstico é histopatológico, e o tratamento costuma ser cirúrgico, com atenção ao risco de recidiva.