(mãe diagnosticada aos 45 anos e irmã aos 38 anos) e câncer de ovário (avó materna diagnosticada aos 55 anos), procura aconselhamento genético. Trouxe resultado de teste genético para os genes BRCA1 e BRCA2. O resultado revela uma variante de significado incerto (VSI) no gene BRCA1. A conduta mais apropriada diante desse resultado é
- A)considerar a VSI como patogênica, devido ao forte histórico familiar, e recomendar as mesmas medidas de prevenção e rastreamento indicadas para portadoras de variantes patogênicas em BRCA1.
Errada, porque uma VSI não pode ser presumida patogênica só pelo histórico familiar; isso seria extrapolar além do que o teste realmente mostrou.
- B)tranquilizar a paciente, explicando que uma VSI não representa um risco aumentado para câncer e que o rastreamento deve seguir as recomendações para a população geral.
Errada, porque uma VSI não equivale a resultado negativo nem reduz automaticamente o risco ao da população geral.
- C)recomendar a realização de testes genéticos adicionais em familiares afetados (se disponíveis) para tentar reclassificar a VSI como patogênica ou benigna; prosseguir com realização de painel de sequenciamento para genes para predisposição ao câncer de mama e ovário.
Certa, porque familiares afetados podem ajudar na segregação da variante e novos painéis podem ampliar a investigação genética quando a primeira análise não esclarece o caso.
- D)indicar a realização de biópsia mamária para descartar a presença de lesões pré-cancerosas ou cancerosas, considerando que a VSI pode estar associada a um risco aumentado de desenvolvimento de câncer de mama.
Errada, porque biópsia mamária não é indicada para “testar” uma VSI; biópsia serve para investigar lesão suspeita, não para classificar variante genética.
- E)recomendar o uso de quimioprevenção com tamoxifeno ou inibidores de aromatase para reduzir o risco de câncer de mama.
Errada, porque quimioprevenção deve ser baseada no risco clínico e familiar bem definido, não em uma VSI isolada.
Gabarito: C
Uma variante de significado incerto (VSI, ou VUS) é aquele resultado que ainda não permite dizer se a alteração genética aumenta risco de doença ou se é apenas uma variação sem importância. Em genética médica, isso significa uma coisa simples: você não deve tomar decisões grandes com base em uma informação que ainda não “deu cara de decisão”. No contexto de câncer de mama e ovário hereditários, o histórico familiar forte pode levantar suspeita de síndrome hereditária, mas a VSI em BRCA1 não pode ser tratada automaticamente como mutação patogênica. Também não deve ser ignorada como se fosse um teste normal. O caminho correto é procurar evidência para reclassificação, especialmente testando familiares afetados, quando possível, porque a segregação da variante com a doença ajuda muito na interpretação. Por isso, a conduta mais apropriada é a da alternativa C: tentar estudar a variante em familiares acometidos e complementar a investigação com painel de genes relacionados à predisposição a câncer de mama e ovário, se isso for clinicamente indicado. Em aconselhamento genético, o foco é integrar história familiar, fenótipo e genética, e não transformar VSI em sentença definitiva antes da hora. É o famoso “calma, genética também tem fase de revisão”. Do ponto de vista técnico, diretrizes de interpretação de variantes, como as do ACMG/AMP, reforçam que variantes de significado incerto não devem guiar condutas clínicas invasivas ou definitivas. A paciente deve ser manejada com base no risco clínico-familiar enquanto a variante permanece sem classificação conclusiva.