Em relação à avaliação ultrassonográfica de paciente portadores de displasia desenvolvente do quadril, é correto afirmar que
- A)o ângulo beta é formado por uma linha de referência ao longo do osso ilíaco e uma linha ao longo do teto do acetábulo.
Errada, porque o ângulo beta não é formado pela linha de referência do ílio com o teto ósseo acetabular, e sim com a cobertura cartilaginosa/labrum.
- B)o ângulo alfa é formado por uma linha através da porção central do modelo cartilaginoso da epífise e a linha de referência do ilíaco.
Errada, porque essa descrição corresponde ao ângulo alfa, que avalia o teto ósseo acetabular, e não à porção central do modelo cartilaginoso da epífise.
- C)segundo Graf, o tipo II b significa um teto ósseo acetabular deficiente, ângulo alfa entre 50 e 59 graus e com idade acima 12 semana de vida.
Certa, porque o Graf IIb corresponde a ângulo alfa entre 50 e 59 graus em paciente com mais de 12 semanas, indicando displasia além da fase fisiológica de imaturidade.
- D)segundo Graf, o tipo II a (-) significa um teto ósseo acetabular adequado, ângulo alfa entre 50 e 59 graus e com idade de 0 a 12 semana de vida.
Errada, porque o tipo IIa(-) é a imaturidade fisiológica até 12 semanas, mas a alternativa usa a faixa etária e a interpretação do teto ósseo de forma incoerente.
- E)segundo Graf, o tipo II a (+) significa um teto ósseo acetabular deficiente, ângulo alfa entre 50 e 59 graus e com idade de 06 a 12 semana de vida.
Errada, porque o tipo IIa(+) é a imaturidade que persiste após 12 semanas, e a alternativa ainda atribui erroneamente teto ósseo deficiente a essa categoria.
Gabarito: C
Na ultrassonografia do quadril infantil, especialmente na displasia desenvolvimental do quadril, o método de Graf organiza a leitura do exame por ângulos e pela forma do teto acetabular. O ângulo alfa mede a parte óssea do acetábulo e é feito entre a linha de base do ílio e a linha que tangencia o teto ósseo acetabular. Já o ângulo beta se relaciona à cobertura cartilaginosa e é traçado entre a linha de base do ílio e a linha que acompanha o teto cartilaginoso/labrum, então a banca adora trocar esses conceitos para ver se voce está atento. Pelo sistema de Graf, o tipo II indica quadril imaturo ou displásico em alguma medida, e a subdivisão depende da idade e do grau de maturação. O tipo IIa é o quadril imaturo fisiológico do recém-nascido até 12 semanas, quando a alfa fica entre 50 e 59 graus. Quando essa imaturidade permanece além de 12 semanas, deixa de ser apenas um achado esperado e passa a ser classificada em IIa(+), enquanto o IIa(-) corresponde à imaturidade antes de 12 semanas. Então a idade aqui não é detalhe decorativo: ela muda a classificação. A alternativa C está correta porque o tipo IIb, no esquema de Graf, corresponde a quadril com alfa entre 50 e 59 graus em criança com mais de 12 semanas, isto é, já fora da faixa de imaturidade fisiológica. Em outras palavras: o mesmo ângulo que poderia ser tolerado como imaturidade no recém-nascido passa a ter peso patológico quando a criança já passou da janela etária esperada. É o clássico truque da ortopedia: o número sozinho não basta, a idade manda junto. Para memorizar, pense assim: alfa fala do osso, beta fala da cartilagem, e a idade define se o quadril ainda pode ser chamado de imaturo ou se já entrou na categoria de displasia. Em prova, a FGV costuma misturar exatamente esses dois pontos, tentando trocar o que cada ângulo mede e embaralhar a faixa etária de Graf.